Visando a otimizar os custos e reduzir os riscos logísticos, o HCB possui uma estrutura diagnóstica laboratorial que compõe o complexo da unidade de saúde. Além disso, os fluxos e processos do LAC estão organizados de modo a favorecer menor tempo possível entre a coleta da amostra e a decisão clínica. Quando se trata da especificidade das análises clínicas, o fator tempo pode definir o futuro do paciente, principalmente quando se trata de crianças e adolescentes acometidos por condições oncológicas, condições renais agudas ou crônicas, doenças cardiovasculares ou hepáticas, e condições genéticas raras.
Aproveitamento do tempo
A especialização do laboratório se manifesta diretamente no suporte às linhas de cuidado mais sensíveis da unidade de saúde. Na oncologia, o monitoramento de marcadores tumorais e da toxicidade relacionada ao tratamento com quimioterapia é rigoroso; na nefrologia e cardiologia, o controle de eletrólitos e biomarcadores ocorre em tempo real. Esta capacidade técnica permite o ajuste preciso de dosagens de medicamentos de controle, como imunossupressores, minimizando riscos de deterioração dos rins ou supressão medular por meio de análise individualizada dos efeitos medicamentosos. Conforme a Gerência de Apoio ao Diagnóstico Terapêutico (GADT), esse acompanhamento previne intercorrências graves, detectando desvios nos exames de sangue antes mesmo que os primeiros sintomas clínicos se manifestem no paciente.
Coleta
“Reforçamos o compromisso do HCB com a vida e o futuro dessas crianças por meio de protocolos personalizados que priorizam não só a sobrevida, mas o bem-estar integral – físico, emocional e familiar”
Joana Paula Pereira da Silva, gerente de Apoio ao Diagnóstico Terapêutico do HCB
A equipe é treinada para lidar com o medo e a recusa infantil por meio de técnicas de engajamento e educação em saúde a partir do uso de brinquedos terapêuticos, garantindo que o procedimento seja o menos traumático possível. “Reforçamos o compromisso do HCB com a vida e o futuro dessas crianças por meio de protocolos personalizados que priorizam não só a sobrevida, mas o bem-estar integral – físico, emocional e familiar. Assim, ajudamos a transformar desafios crônicos em rotinas gerenciáveis, devolvendo autonomia e esperança às famílias”, afirma Joana Paula.
Heitor Cristiano Silvano, de 7 anos, entra na sala de coleta do Hospital da Criança de Brasília e já anuncia que quer a “borboletinha”. O menino se refere a um cateter que lembra a forma do inseto. “É que ele já ficou internado aqui e se acostumou a tirar sangue com a ‘borboletinha’. Quando ele chegou aqui, ele tirava sangue dia sim, dia não, mas como ele veio de outros hospitais, ele fazia isso todo dia. Então, ele preferia essa, que ele fala que não dói”, diz a mãe do menino, Rafaela de Oliveira.
Pacientes
A eficiência laboratorial do HCB é sustentada por uma infraestrutura tecnológica que opera em conjunto com protocolos rigorosos de controle de qualidade mundialmente reconhecidos, referendados, também, pela Cultura de Acreditação Hospitalar que confere à unidade de saúde o selo de Excelência ONA 3, até então inédito em unidades hospitalares pediátricas públicas em toda região Centro-Oeste. A alta conformidade (95%) nos requisitos da Organização Nacional de Acreditação (ONA) reflete a maturidade da gestão do HCB e seu compromisso com a centralidade do cuidado com o paciente e sua família.
Outro diferencial estratégico do HCB é a internalização de serviços críticos, como o de microbiologia. Antes dependente de empresas externas, a unidade agora realiza essas análises em metade do tempo original. A agilidade impacta diretamente as terapias que utilizam antibióticos, permitindo que a equipe médica ajuste ou suspenda essas terapias com rapidez, reduzindo os riscos de resistência antimicrobiana (RAM) e otimizando o tempo de internação. Além disso, o hospital atua como referência na rede pública do Distrito Federal para exames especializados, como o teste do suor para fibrose cística, reforçando seu papel como polo de excelência em saúde pediátrica.
Integração
A atenção é redobrada na fase pré-analítica — que compreende desde o cadastro do paciente, registro do pedido até a coleta e entrada da amostra biológica pelo LAC, estágio que concentra, aproximadamente, 70% dos erros laboratoriais no setor de saúde. Para mitigar esses riscos, a instituição investe em treinamentos constantes e no nivelamento tecnológico de sua equipe, composta por profissionais biomédicos, farmacêuticos e técnicos de laboratório.
Adimara Kely Souza, técnica de laboratório no HCB há sete anos, afirma que cada atendimento que presta traz consigo uma história diferente, de aprendizado e de troca. Para ela, a coleta de material biológico é um processo delicado tecnicamente, que exige comprometimento e delicadeza, porque é preciso lidar com a criança e com as famílias cujo protagonismo ela faz questão de fomentar, uma vez elas podem atuar como barreira de segurança.
“Muitas vezes, esse paciente vem coletar material no atendimento do ambulatório. Então, ele vem até nós direto da casa dele. E a gente vê que o paciente está mais ‘molinho’, pálido; a gente já coleta o material para o banco de sangue. Isso faz muita diferença no diagnóstico também. É uma responsabilidade que a gente carrega. A gente faz a diferença na vida desses pacientes”, afirma.
A integração entre o laboratório e o corpo clínico é outro aspecto importante da gestão hospitalar que também humaniza os dados técnicos e de rastreamento. A partir de discussões de casos específicos e da monitorização em tempo real de pacientes em estados críticos, como os de terapia intensiva e pós-transplante de medula óssea, o dado laboratorial torna-se uma ferramenta viva, e atuante, de cuidado.
*Com informações do HCB
Fonte: Agência Brasília



