Pouco mais de um ano após a entrada em vigor da Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas públicas do Distrito Federal, a implementação se mostra integrada à rotina escolar de diversas unidades do Distrito Federal, com reflexos no ambiente de aprendizagem, nas relações interpessoais e na organização dos estudantes dentro e fora da escola.
Entre as escolas onde a adaptação está consolidada, figura o Centro Educacional Incra 8, localizado na zona rural. Com pouco mais de mil estudantes entre 11 e 17 anos, do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, a unidade reorganizou sua rotina para cumprir a norma, mantendo estratégias pedagógicas e desenvolvendo novas formas de engajamento.
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A estudante Camila Ambra Aires dos Santos, de 17 anos, é um exemplo sólido da nova dinâmica. Ela relata mais foco nas disciplinas após a proibição — que a surpreendeu no início. “Eu cheguei a pensar o que seria de mim sem meu celular. Mas, na prática, foi bom porque aumentou meu rendimento na escola, e em casa eu nem uso tanto o celular quanto antes. Sentir de verdade a presença das pessoas, e ver que tem tantas ao meu redor, é de questionar por que ficar tanto tempo no celular,. Isso acaba furando a bolha da gente”, ressalta.
A secretária interina de Educação, Iêdes Soares Braga, afirma que a avaliação da pasta é positiva: “As escolas se adaptaram à norma, superaram os desafios iniciais e já observamos melhorias no ambiente de aprendizagem, com mais foco e participação dos estudantes.”
Um novo tempo
Durante o período de adaptação, a escola enfrentou resistência inicial dos alunos, o que exigiu ações pedagógicas e diálogo constante. Entre as estratégias adotadas, estão a criação de espaços e momentos de leitura e o incentivo a atividades que estimulam a interação presencial, como jogos de tabuleiro e outras opções manuais. A medida também levou em consideração a realidade dos estudantes, que percorrem longas distâncias até a escola, permitindo que levem o celular para comunicações de emergência no percurso, mas sem utilizá-lo dentro da unidade escolar, salvo em situações autorizadas pela coordenação.
Na avaliação da diretora do CED Incra 8, Solange da Cunha Pereira, o processo exigiu firmeza na aplicação da legislação e adaptação das práticas escolares. Segundo ela, atualmente cerca de 80% dos estudantes já se adequaram às regras, que proíbem o uso do celular em todos os espaços da escola, inclusive no intervalo, mantendo os aparelhos guardados nas mochilas.

