“Nós estamos cansados!”. O desabafo é da operadora de caixa Fátima Dantas de Souza Alves, que participou, na manhã desta terça-feira (30), de uma manifestação, no Rio de Janeiro, que abriu o Dia Nacional de Mobilização pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6×1.
A mulher negra, de 22 anos, que trabalha em pé, oito horas por dia, diz que o fim da atual escala de trabalho, de apenas um dia de folga na semana, representaria “diversos alívios”.
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A manifestação da qual a operadora de caixa participou teve a presença de centenas de pessoas, com bandeiras e faixas, que percorreram cerca de 6 quilômetros, incluindo trechos da Avenida Brasil, uma das principais vias de acesso à região central da capital fluminense. Uma caminhada de quase duas horas.
Jornada em 21 cidades
A mobilização faz parte de um dia nacional de jornadas, articulado por organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e as frentes populares Povo Sem Medo e Brasil Popular.
Tramitação da PEC
A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio. No entanto, desde então, está parada no Senado, aguardando despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
No início de junho, Alcolumbre declarou que a PEC deveria ser analisada “sem pressa” e que poderia haver “melhorias” no texto.
O ativista Leonardo Guimarães, da Frente Brasil Popular, informou que centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais têm um encontro marcado para quarta-feira (1º) com Davi Alcolumbre “para destravar a pauta do fim da escala 6×1”.
A CUT criou o site Na Pressão, para que a população possa pressionar os parlamentares, por meio de envio de mensagens.
>> Entenda a PEC que acaba com a escala 6×1
O vereador no Rio de Janeiro Rick Azevedo (PSOL), criador do VAT e um dos articuladores nacionais do movimento contra a escala 6×1, classifica a virada de semestre como “momento crucial para os trabalhadores brasileiros”.
Ele criticou o senador Alcolumbre por não dar seguimento célere à tramitação e disse que a classe trabalhadora “não recuará”.
Apoio da população
O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Gabriel Siqueira, acrescenta que a manifestação recebeu apoio de populares que cruzaram com os ativistas e também expôs solidariedade a diversas categorias, como os motoristas de ônibus da capital fluminense, que entraram no segundo dia de greve nesta terça-feira.
“Durante todo o percurso, fomos muito bem recebidos pelos trabalhadores, o que mostra que essa luta já ganhou o apoio da classe trabalhadora brasileira”, avalia.
O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer, lembra que a categoria é uma das mais expostas à escala de apenas uma folga por semana.
Ele sustenta que, com mais dias de descanso, os funcionários terão também maior dedicação ao trabalho.
“Com trabalhador mais descansado e com uma jornada de trabalho mais digna, consequentemente a produtividade tem de aumentar”, afirmou.
“Acho que essa conta o empresariado não está disposto a fazer”, concluiu.
Impactos
Outras caminham para a conclusão de que mais dias de folga aumentarão a motivação dos empregados e que haverá mais tempo para consumo, fazendo girar a roda da economia.





