A demora para conseguir uma cirurgia de proctologia na rede pública do Distrito Federal tem provocado sofrimento e incerteza entre pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo com iniciativas do Governo do Distrito Federal para ampliar a realização de cirurgias, como o programa Opera DF, há relatos de pacientes que continuam aguardando procedimentos há mais de um ano, sem perceber avanços significativos na fila.
Um dos casos é o de um paciente que preferiu não se identificar. Ele afirma que aguarda há mais de 12 meses por uma fistulectomia, procedimento utilizado no tratamento de determinados casos de fístula anal.
Segundo o relato, a posição na fila apresentou pouca movimentação durante esse período, mesmo após a implementação de ações para ampliar a oferta de cirurgias eletivas na rede pública.
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Enquanto o atendimento não acontece, a doença continua provocando drenagem intensa de secreção, desconforto e dificuldades nas atividades cotidianas.
Paciente relata sofrimento e fila praticamente parada
De acordo com o paciente, o acompanhamento frequente pelo sistema Acompanha SUS revela uma evolução muito pequena de sua posição na lista de espera.
Ele afirma que a situação se prolonga há mais de um ano, sem uma previsão concreta para a realização da cirurgia.
A drenagem persistente de secreção exige cuidados frequentes e compromete a qualidade de vida. Além do desconforto físico, a demora provoca preocupação com a continuidade dos sintomas e possíveis complicações.
A fístula anal é caracterizada pela formação de uma comunicação anormal entre o canal anal e a pele próxima ao ânus. A condição pode causar secreção contínua, dor, inflamação e infecções recorrentes.
O tratamento pode exigir cirurgia, dependendo das características e da complexidade da doença.
Mesmo com o Opera DF, paciente não percebe avanço na fila
O programa Opera DF foi criado pelo Governo do Distrito Federal com o objetivo de ampliar a realização de procedimentos cirúrgicos e reduzir a demanda reprimida por cirurgias eletivas na rede pública de saúde.
Entretanto, o paciente relata que, mesmo com a iniciativa, praticamente não houve alteração em sua posição na fila da proctologia.
A situação levanta questionamentos sobre a distribuição dos procedimentos entre as especialidades contempladas e o impacto efetivo das medidas na redução da espera por cirurgias de fístula anal.
Embora o programa busque acelerar atendimentos, é necessário esclarecer quantas cirurgias de proctologia foram realizadas, especialmente fistulectomias e fistulotomias, e quantos pacientes ainda aguardam esses procedimentos.
A pouca movimentação observada por um paciente não permite concluir que o programa não tenha produzido resultados em outras especialidades. No entanto, o relato evidencia a necessidade de informações detalhadas sobre os avanços específicos na coloproctologia.
Secretaria de Saúde já reconheceu déficit de especialistas
As dificuldades de acesso à coloproctologia não são desconhecidas da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).
Um protocolo oficial da pasta reconhece a elevada demanda e o déficit de profissionais na especialidade, fatores associados à formação de longas filas de espera.
Além disso, documentos de regulação estabelecem critérios de prioridade clínica e encaminhamento dos pacientes para procedimentos cirúrgicos.
O desafio, entretanto, não se limita à organização das solicitações. Também envolve a capacidade da rede pública de realizar as cirurgias necessárias em prazo adequado.
Cirurgias eletivas também envolvem sofrimento
A classificação de uma cirurgia como eletiva significa que o procedimento pode ser programado, mas não implica necessariamente ausência de dor ou comprometimento da saúde.
Pacientes com fístulas anais podem enfrentar secreção persistente, episódios de infecção, necessidade de curativos e restrições na rotina.
Por isso, a permanência prolongada na fila exige acompanhamento clínico e reavaliação quando surgem alterações ou agravamento dos sintomas.
Pacientes cobram transparência sobre a fila da proctologia
A situação reforça a necessidade de a Secretaria de Saúde informar quantos pacientes aguardam consultas e cirurgias de proctologia no Distrito Federal, qual é o tempo médio de espera e quantos procedimentos foram realizados por meio do Opera DF.
Também é importante esclarecer se a especialidade foi contemplada pelas ações de ampliação cirúrgica e quais resultados foram efetivamente alcançados.
Para o paciente que aguarda há mais de um ano por uma fistulectomia, a principal preocupação permanece a mesma: a demora para receber o tratamento enquanto o sofrimento continua.
A ampliação de cirurgias anunciada pelo poder público precisa ser acompanhada de transparência sobre os resultados por especialidade, permitindo que a população saiba se as filas estão realmente diminuindo.
A reportagem mantém espaço aberto para que a Secretaria de Saúde do Distrito Federal apresente esclarecimentos sobre a fila da proctologia, os resultados do Opera DF e as medidas previstas para ampliar o atendimento.

