O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), que é administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), promoveu uma capacitação voltada para a prevenção, o diagnóstico e a abordagem multiprofissional do câncer colorretal. A iniciativa teve como proposta principal qualificar a assistência oferecida aos pacientes e reforçar os alertas sobre a doença, que também já afetou figuras conhecidas mundialmente, como a cantora Preta Gil e o ator Chadwick Boseman.
Estimativas e sinais de alerta De acordo com projeções apresentadas durante o evento e fornecidas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil poderá registrar cerca de 53,8 mil novos casos anuais da enfermidade entre 2026 e 2028. A patologia afeta o intestino grosso, englobando o cólon e o reto, e costuma iniciar-se por meio de pólipos que podem se transformar em tumores malignos. Como a doença pode evoluir sem manifestar sintomas nas fases iniciais, o reconhecimento de sinais como sangue nas fezes, alterações intestinais persistentes, dores abdominais, anemia e perda de peso sem causa aparente é fundamental. Fatores como sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool e carnes processadas elevam os riscos.
“A doença pode passar muito tempo sem apresentar sintomas. Por isso, é importante estar atento aos sinais e realizar os exames de rastreamento quando indicados. Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as possibilidades de um tratamento bem-sucedido”, explica Amanda Gomes, fisioterapeuta do HBDF.
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Métodos de detecção e exames A atividade, intitulada “Câncer colorretal: do reconhecimento à abordagem multiprofissional”, foi ministrada pela fisioterapeuta Amanda Gomes de Araujo, integrante do Programa de Residência Multiprofissional em Oncologia do IgesDF. Durante a sua explanação, a profissional detalhou exames essenciais para a detecção precoce, a exemplo do teste imunoquímico fecal (FIT) — capaz de encontrar vestígios mínimos de sangue nas fezes — e da colonoscopia, método que possibilita a visualização interna do órgão, a retirada de determinados pólipos e a coleta de material para biópsia.
Tratamento e cuidados paliativos As opções terapêuticas discutidas no encontro englobam cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo e imunoterapia, cuja escolha varia conforme a localização, o estágio e as condições clínicas de cada indivíduo. Além disso, o evento destacou a relevância dos cuidados paliativos, que não se restringem aos momentos finais da vida, podendo ser aplicados desde a confirmação de uma patologia grave para minimizar o sofrimento físico, psicológico, social e espiritual.
“Os cuidados paliativos podem começar desde o diagnóstico de uma doença grave. O objetivo não é olhar apenas para a doença, mas também para o sofrimento físico, psicológico, social e espiritual do paciente, além de oferecer suporte à família e aos cuidadores”, explica Amanda.
Visão da equipe multiprofissional A integração de diversas especialidades médicas e de saúde assegura um plano de atendimento individualizado, que prioriza tanto as demandas clínicas quanto a autonomia dos enfermos. Para a farmacêutica Andressa Garcez, residente em oncologia do IgesDF no HBDF, a programação refletiu diretamente a realidade diária de quem atende nos ambulatórios e na internação.
“A palestra é essencial porque traz o reconhecimento da doença desde o rastreamento, na atenção primária, até toda a linha de cuidado clínico, incluindo o tratamento e os cuidados paliativos. É justamente o que vivenciamos aqui no Hospital de Base, tanto no ambulatório quanto na internação”, afirma.
A profissional também ressaltou que a comunicação clara entre a equipe, os pacientes e seus familiares é indispensável para alinhar as condutas terapêuticas. “É importante entender o que devemos priorizar como equipe multiprofissional e como essa conversa precisa acontecer entre os profissionais e a família, para que tudo esteja bem-alinhado”, conclui.

