Doenças reumáticas: pacientes relatam desafios e impacto da dor

Pacientes relatam impacto da dor e desafios do diagnóstico de doenças reumáticas 

O impacto das doenças reumáticas na rotina de milhares de brasileiros vai muito além do sofrimento físico, comprometendo severamente a qualidade de vida e a mobilidade dos pacientes que buscam atendimento na rede pública de saúde.

O peso do sofrimento diário

“Viver com dor é horrível, não desejo isso nem pro meu pior inimigo. A dor te poda, você perde a alegria de viver”, afirma Maria de Fátima Araújo dos Santos, de 71 anos, que enfrenta dores constantes e osteopenia.

Acompanhada pela equipe de Reumatologia do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), ela representa uma realidade vivida por mais de 15 milhões de brasileiros, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). O grupo dessas enfermidades engloba condições como osteoartrite, gota, tendinite, bursite, artrite reumatoide e lúpus, capazes de afetar articulações, músculos, ossos e outros órgãos.

Alta demanda e atendimento especializado

Somente no Hospital de Base, os fluxos de assistência ultrapassam a marca de mil consultas mensais voltadas para essas enfermidades. O chefe do serviço de reumatologia do HBDF, Roberto Rodrigues, pontua que a rotina de tratamento exige superação constante.

“Conviver com a dor é a maior dificuldade enfrentada pelos pacientes. Isso inclui superar as limitações causadas por ela, seja com medicamentos ou fisioterapia, e lidar com a falta de compreensão de familiares e colegas de trabalho”, afirma Rodrigues.

A barreira da incompreensão e o diagnóstico tardio

A falta de empatia social agrava o quadro emocional de quem lida com o problema. “Ninguém consegue ver o que você está sentindo. Então, eles não entendem. Tem gente que acha que estamos inventando, estamos nos fazendo de vítima. Isso me deixa muito triste”, relata Maria de Fátima.

O caminho até a descoberta do problema também costuma ser longo e complexo. Kethelen Pereira Neyre de Sousa começou a apresentar inchaços e dores aos 16 anos, enfrentando internações prolongadas até receber o diagnóstico de lúpus.

“Cheguei a ficar mais de um mês internada, e os médicos não descobriam o que tinha de errado. Hoje, mesmo medicada, têm dias que acordo com muita dor, enjoo e fadiga”, relata Kethelen. Ela destaca ainda que a troca de experiências com outras pessoas na mesma situação ajuda a amenizar o isolamento: “Cada um tem o seu jeito de sentir e vai passar por coisas diferentes, mas é importante saber que outras pessoas vivem as mesmas coisas”.

Para quem apresenta sintomas persistentes, a orientação das autoridades de saúde é procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS), que serve como porta de entrada para eventuais encaminhamentos a centros especializados.