Victor Jansen cresce nas redes e aposta em estilo direto para conquistar vaga na Câmara Legislativa

Candidato do PL a deputado distrital ampliou presença digital nos últimos meses e tenta transformar alto alcance nas redes sociais em votos nas eleições de 2026

A disputa por uma das 24 vagas na Câmara Legislativa do Distrito Federal ganhou um personagem de forte presença digital. Aos 25 anos, Victor Jansen (PL) chega à reta final da campanha de 2026 apostando em uma estratégia baseada no contato direto com o público, vídeos curtos, abordagens a políticos e forte atuação nas redes sociais.

Natural de Brasília, Victor Jansen Ferreira concorre pela primeira vez a um cargo eletivo. Sua candidatura a deputado distrital pelo Partido Liberal está deferida pela Justiça Eleitoral. Ele disputa com o número 22322.

Embora ainda não seja possível afirmar, sem pesquisas específicas para deputado distrital, qual será seu desempenho nas urnas, os números das redes mostram uma expansão expressiva de sua audiência.

Em setembro de 2025, uma publicação que entrevistou Victor registrava que ele acumulava mais de 68 mil seguidores. Em julho deste ano, a plataforma Zaver contabilizava aproximadamente 192 mil seguidores somente no Instagram. Monitoramento mais recente do Sólon Data aponta o perfil na faixa dos 346 mil seguidores. As plataformas usam metodologias e datas de atualização diferentes, mas os números indicam uma trajetória de forte crescimento de sua presença digital.

Um jeito diferente de fazer campanha

Parte da projeção alcançada por Victor Jansen está ligada ao modelo de comunicação adotado pelo candidato.

Em vez de concentrar a campanha apenas em reuniões partidárias, bandeiras nas ruas e materiais eleitorais tradicionais, Jansen transformou as redes sociais em um dos principais espaços de sua atuação política.

Vídeos de abordagens, perguntas diretas a autoridades, opiniões sobre temas nacionais e conteúdos ligados à direita passaram a integrar sua estratégia de comunicação.

O próprio registro eleitoral mostra uma presença distribuída por diferentes plataformas. Entre os canais declarados estão Instagram, TikTok, YouTube, X, Facebook, Kwai e Telegram, além do perfil Direita na Capital.

Essa presença multiplataforma permite que um mesmo episódio político seja transformado em diferentes formatos e alcance públicos que muitas vezes estão distantes da propaganda eleitoral tradicional.

Política feita para as redes

O fenômeno também acompanha uma transformação mais ampla das campanhas eleitorais.

Em 2026, candidatos de diferentes partidos ampliaram significativamente os investimentos em redes sociais. Dados divulgados em setembro mostraram que as campanhas brasileiras já haviam destinado R$ 167,3 milhões ao impulsionamento de conteúdo nas plataformas da Meta, superando todo o valor registrado na eleição de 2022.

No caso de Victor Jansen, a estratégia digital começou antes mesmo do período oficial de campanha.

Ainda em 2025, ele já aparecia publicamente como estudante de Direito e comunicador político ligado à nova geração da direita brasiliense, utilizando as redes como principal ferramenta de exposição política.

Agora, tenta transformar seguidores, visualizações, compartilhamentos e reconhecimento digital em votos.

Engajamento também provoca controvérsias

A estratégia de confronto político nas redes também levou a campanha ao Judiciário.

Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal determinou, em decisão liminar, que Victor Jansen interrompesse o impulsionamento pago de um vídeo crítico à senadora e candidata à reeleição Leila do Vôlei (PDT).

A magistrada responsável pela decisão afirmou que críticas e confronto de ideias fazem parte do debate democrático, mas considerou que a legislação eleitoral impede o impulsionamento pago de propaganda negativa. A publicação poderia permanecer em circulação orgânica. O mérito da ação ainda seria analisado.

O episódio também demonstra como as próprias redes se tornaram parte central da disputa eleitoral do candidato.

De influenciador político a candidato

Victor Jansen representa um perfil que ganhou espaço na política brasileira nos últimos anos: candidatos que constroem primeiro uma audiência digital e posteriormente entram na disputa eleitoral.

No registro apresentado à Justiça Eleitoral, ele declarou ocupação de estudante, bolsista, estagiário e assemelhados, ensino superior incompleto e patrimônio de R$ 50.990. Esta é sua primeira candidatura registrada.

Segundo dados de prestação de contas atualizados durante a campanha, Jansen também recebeu recursos relevantes para disputar a eleição pelo PL, incluindo repasses partidários e doações privadas.

A combinação entre estrutura eleitoral e uma audiência digital construída anteriormente coloca Victor Jansen como um dos nomes a serem observados dentro da chapa proporcional do PL no Distrito Federal.

O tamanho das redes, contudo, não permite calcular automaticamente o número de votos. Seguidores podem morar fora do Distrito Federal, não necessariamente serem eleitores e uma mesma pessoa pode acompanhar o candidato em diferentes plataformas.

A resposta definitiva sobre até onde esse alcance digital consegue se converter em força eleitoral virá das urnas.

Independentemente do resultado, a campanha de Victor Jansen já exemplifica uma mudança no modo de disputar espaço político: menos dependência da comunicação tradicional e uma estratégia cada vez mais construída diante da câmera do celular, com linguagem rápida, confronto direto e distribuição massiva pelas redes sociais.