Nos três primeiros meses deste ano, o programa Desperdício Zero, das Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF), destinou 96.248 kg de alimentos a 57 entidades por meio do banco de alimentos. Em 2025, a iniciativa havia arrecadado 480.347,35 kg com atendimento a 187 instituições. Somente no ano passado, o programa beneficiou aproximadamente 60 mil pessoas.
O Desperdício Zero é um dos três eixos do Programa de Coleta e Doação de Alimentos da Ceasa-DF. Os produtos recebidos são alimentos fora do padrão de venda, geralmente por estarem muito maduros ou com pequenas avarias, mas ainda próprios para consumo humano. Depois da coleta, o banco de alimentos faz a triagem, a pesagem e a logística de distribuição.
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Além do recolhimento dentro do complexo da Ceasa-DF, o programa recebe doações diretamente nas propriedades rurais. Segundo o coordenador do Banco de Alimentos, Cleison Wellington Gonçalves de Oliveira, parte importante desse fluxo vem dos dias de comercialização da agricultura familiar, quando produtores levam mercadorias à pedra — área da Ceasa-DF designada à venda direta da produção rural — e destinam ao banco aquilo que não foi vendido até o fim do dia.
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“O produtor vem para a Ceasa com a mercadoria, vende durante o dia e, no fim, aquilo que não saiu e que muitas vezes iria para o lixo é doado para o banco de alimentos. A gente recolhe, seleciona os alimentos próprios para consumo e distribui para as entidades cadastradas”, afirma.
Segundo Cleison, o programa atua ao mesmo tempo no aproveitamento de alimentos que perderam espaço no mercado e no atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade. “O programa tem duas vertentes principais. Uma delas é fomentar a agricultura familiar dentro do Distrito Federal. A outra é levar uma alimentação nutritiva para as famílias. Quando a gente visita as instituições, vê a necessidade que esses alimentos atendem. Em muitos casos, é esse o alimento que chega à mesa dessas famílias”, diz.
200
Número de entidades cadastradas no banco de alimentos da Ceasa
Hoje, de acordo com o coordenador, o banco de alimentos tem cerca de 200 entidades cadastradas e atende, em média, 120 dentro desse eixo. Na ponta, os efeitos aparecem na rotina das instituições que recebem as doações.
Vice-presidente da Associação Gênesis e Qualificação, Alex da Silva afirma que a entidade busca alimentos para famílias atendidas em Santa Maria, Ceilândia e Sol Nascente. Como o volume varia de uma entrega para outra, a distribuição é feita em rodízio. “A gente trabalha com pessoas que realmente necessitam. Muitas vezes não tem uma proteína, mas tem uma verdura que complementa a alimentação. Então, uma semana a gente leva para uma quantidade de famílias, na outra para outra, e vai fazendo esse rodízio para alcançar mais gente”, relata.
Segundo Alex, o retorno aparece no contato com as famílias e, sobretudo, com as crianças. “A felicidade é muito grande. Você imagina a pessoa que não tem nada e passa a ter alguma coisa para colocar no prato do filho. Às vezes é uma batata, uma verdura, algo simples, mas que já entra na refeição. E a gente ouve isso depois, vê o efeito que tem nas casas e vê a satisfação das mães e das crianças”, afirma.
Ele conta que a atuação social acompanha sua história desde a infância. “Desde que eu me entendo por gente, a garagem da minha casa estava cheia de verdura, porque minha mãe já fazia esse trabalho. Continuar nisso tem muito propósito para mim. Vale a pena ver o sorriso das pessoas, ver as crianças indo com as mães buscar os alimentos e saindo com a sacola na mão”, acrescenta.

