O Distrito Federal abriga quatro dos 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira (CRMB) espalhados pelo país. As unidades, que oferecem atendimento humanizado a todas as mulheres, em especial àquelas vítimas de violência ou em situação de vulnerabilidade, estão no Recanto das Emas, São Sebastião, Sobradinho II e Sol Nascente e contam, inclusive, com brinquedoteca com monitora para que as que são mães possam deixar os filhos durante os atendimentos.
Mas os dados não dão a devida dimensão da importância desses espaços. Por isso, neste Dia das Mães, é melhor contar a história de uma pessoa que teve a vida transformada por meio deles: Neris Pereira tem 42 anos, é casada e tem dois filhos, de 22 e de 17. Há 26 anos, ela atua como manicure, e há 17 virou também cabeleireira. Na pandemia, deixou o salão em que trabalhava e abriu o próprio negócio (https://www.instagram.com/neris_pereira). Mas encontrou barreiras. “É difícil, porque é a gente e a gente mesma para tudo”, explica.
- 📱 Favorite o Giro 61 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
- ✅ Clique aqui para seguir o canal do Giro 61 no WhatsApp
Moradora do Recanto das Emas, Neris vive a uma rua de distância do CRMB da região. Porém, nunca tinha visitado o local, por acreditar ser exclusivo para mulheres vítimas de violência. No início deste ano, por meio de uma publicação nas redes sociais, ficou sabendo da oferta de cursos gratuitos e se interessou.
“Primeiro, fiz o curso de tranças e o de marketing. Depois, vim fazer o de empreendedorismo. Foi muito bom, elas são muito acolhedoras, as professoras são maravilhosas [a equipe do centro é formada só por mulheres]. Aprendi a me posicionar melhor e a organizar melhor. Acaba sendo um apoio, porque a gente até quer pagar, mas os cursos são caros. Foi uma mudança. Passei a enxergar com outros olhos o meu negócio e a vida também”, ressalta.
Hoje, ela conta que já percebe o retorno financeiro em seu negócio — o que é fundamental para as contas em casa —, avalia o CRMB como “muito necessário” para as mulheres da região e convida mais gente a conhecer o espaço e a fazer os cursos gratuitos. “Quem já tem o seu negócio ou quer começar um negócio, que venha. Agora, eu vou ficar sempre aqui, sempre de olho no que está rolando.”
Atendimento
“O principal dessa política é o enfrentamento à violência, que está dentro do programa Mulher Viver sem Violência [uma parceria com o Ministério das Mulheres]. Porém, dentro desse enfrentamento, a gente entende também que a mulher precisa ser acolhida em outras áreas, como na questão da promoção da autonomia financeira. Por isso a gente oferece os cursos”, explica a subsecretária de Enfrentamento à Violência Contras as Mulheres da Secretaria da Mulher do DF, Maíra de Castro.

