Recomeço e autonomia
Frase: “Aprender uma profissão dentro do sistema prisional mudou minha visão sobre o futuro. A oficina me ajudou a acreditar que eu também podia recomeçar”
Ana Clara Rodrigues, ex-aluna
Entre as histórias de transformação proporcionadas pela oficina está a de Ana Clara Rodrigues, 34 anos. Mulher trans, ela participou das oficinas de crochê e tricô enquanto cumpria pena no sistema prisional do DF. Hoje, após conquistar a liberdade, trabalha em uma função administrativa em um órgão público do Governo do Distrito Federal e encontrou no artesanato uma fonte de renda extra e também de realização pessoal.
“O crochê começou como uma forma de ocupar a mente e enfrentar aquele período difícil de uma maneira mais leve. Depois virou uma paixão. Hoje faço tapetes, amigurumis e peças decorativas. Vendo no meu trabalho, para amigos e também em feiras. Isso complementa minha renda e me trouxe autoestima novamente”, conta. “Aprender uma profissão dentro do sistema prisional mudou minha visão sobre o futuro. A oficina me ajudou a acreditar que eu também podia recomeçar”, conta.
Ressocialização humanizada
A diretora-executiva da Funap/DF, Deuselita Pereira Martins, destaca que o projeto reafirma o compromisso da Fundação com a ressocialização humanizada e a inclusão produtiva. “Nosso objetivo é garantir oportunidades reais de capacitação e trabalho para mulheres trans privadas de liberdade, fortalecendo a autoestima, a autonomia e as chances de reinserção social”, afirma.
O coordenador de Políticas de Proteção e Promoção de Direitos e Cidadania LGBT (CoorLGBT) da Sejus-DF, Eduardo Fonseca, ressalta que a iniciativa representa um avanço importante na promoção da cidadania e dos direitos humanos dentro do sistema prisional. “É uma política pública que reconhece as vulnerabilidades dessa população e promove acolhimento, dignidade e oportunidades concretas de reconstrução de vida”, destaca.
Segundo o secretário de Justiça e Cidadania interino, Jaime Santana, a oficina reforça o papel social da política pública de ressocialização desenvolvida pelo Governo do Distrito Federal. “Quando oferecemos capacitação, acolhimento e oportunidades, damos condições reais para que essas pessoas reconstruam suas trajetórias. A oficina representa dignidade, inclusão e esperança de um novo começo para mulheres trans que buscam recomeçar suas vidas com autonomia e oportunidades”, ressalta.
O projeto também possibilita remição de pena e remuneração por meio da Bolsa Ressocialização, fortalecendo o compromisso da Funap-DF com a inclusão produtiva e a reconstrução de trajetórias.
Fonte: Agência Brasília



