A rotina de profissionais da saúde costuma ser marcada por decisões rápidas, situações complexas e grande responsabilidade sobre a vida de outras pessoas. Quando ocorre um incidente durante a assistência, os impactos podem atingir não apenas o paciente, mas também médicos, enfermeiros, técnicos e demais trabalhadores envolvidos no atendimento. Para acolher esses profissionais e fortalecer a segurança do cuidado, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) desenvolve ações de apoio emocional voltadas aos chamados “segundas vítimas”.
“Quando um profissional de saúde se vê envolvido em uma falha, ele pode desenvolver sentimentos de culpa, medo e ansiedade. Isso impacta sua confiança e pode comprometer sua atuação”
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Eny Fernanda dos Santos,chefe do Núcleo de Qualidade e Segurança do Paciente
Segundo a chefe do Núcleo de Qualidade e Segurança do Paciente, Eny Fernanda dos Santos, reconhecer o impacto dessas situações é fundamental tanto para a recuperação do profissional quanto para a melhoria contínua da assistência.
“Por isso, é importante oferecer suporte e criar um ambiente seguro para que ele possa falar sobre a situação.”
Psicóloga do IgesDF, Amsha Carvalho de Lima destaca que o sofrimento emocional não deve ser ignorado. “Se a pessoa for dominada pelo medo, ela não terá oportunidade de se desenvolver futuramente”, afirma. “A melhor maneira de evitar novas falhas é falar sobre elas de forma aberta, compreendendo suas causas e transformando a experiência em aprendizado.”
Papel das lideranças
“O foco precisa estar na compreensão dos fatores que contribuíram para a situação e nas medidas necessárias para evitar que ela se repita”
Amsha Carvalho de Lima, psicóloga do IgesDF
“É importante que gestores estejam abertos ao diálogo e compreendam que a análise de uma ocorrência deve ir além da identificação de quem errou”, avalia Amsha. “O foco precisa estar na compreensão dos fatores que contribuíram para a situação e nas medidas necessárias para evitar que ela se repita.”
Psicóloga do Projeto Acolher, Danielle Afonso Storck reforça que o apoio emocional é essencial para que o profissional consiga lidar com a situação e seguir exercendo suas atividades de forma segura. “O erro não pode se tornar um trauma. Ele sempre precisa ser um aprendizado. Nós não podemos abandonar esse profissional”, afirma.
Notificar para aprender e melhorar
De acordo com especialistas, um dos principais desafios é superar o receio de relatar incidentes por medo de julgamentos ou punições. Eny Fernanda ressalta que a notificação de ocorrências protege o paciente, ajuda a aperfeiçoar processos e fortalece uma cultura de segurança.
“A comunicação é essencial. Nosso objetivo é compreender os fatores contribuintes, aprimorar processos e promover um ambiente seguro, colaborativo e de aprendizado contínuo”, defende Eny.
Ao incentivar o relato das situações e oferecer acolhimento aos profissionais envolvidos, o Instituto busca transformar experiências difíceis em oportunidades de melhoria, reduzindo riscos e tornando a assistência cada vez mais segura para a população.
O Projeto Acolher, iniciativa voltada à saúde mental e ao bem-estar dos colaboradores do IgesDF, oferece atendimento psicológico sigiloso e confidencial, respeitando a ética profissional e a privacidade de cada participante.
Para acessar os serviços do Projeto Acolher, o colaborador pode enviar e-mail para projetoacolher@igesdf.org.br ou entrar em contato pelos telefones:
*Com informações do IgesDF
Fonte: Agência Brasília



