“Pessoas com doença falciforme podem apresentar complicações agudas, como crises intensas de dor, infecções e anemia grave, que exigem intervenção precoce. A carteira contribui para que as equipes identifiquem rapidamente a condição clínica e adotem as condutas apropriadas”
Marcelo Jorge Carneiro, hematologista do Hemocentro de Brasília
O lançamento do documento complementa o esforço de integração da rede iniciado na quarta-feira (17), quando o Hemocentro promoveu uma capacitação técnica no auditório da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs). Na ocasião, gestores e profissionais de saúde da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) e do Hospital da Criança de Brasília (HCB) debateram estratégias para aprimorar e acelerar o acolhimento imediato desses pacientes nas linhas de frente dos hospitais e das UPAs.
A nova versão da carteirinha reuniu diretrizes específicas de classificação de risco e possui um QR code que direciona o médico plantonista diretamente a protocolos de urgência e manuais técnicos. A ferramenta visa subsidiar as equipes de saúde na tomada de decisões rápidas e qualificadas durante episódios críticos da patologia.
“A carteirinha vai ajudar as pessoas com doença falciforme quando chegarem à UPA ou a outras emergências, auxiliando a equipe médica a verificar os protocolos pelo QR code e a ter um norte para saber cuidar”
Luana Carolina Martins,fonoaudióloga e uma das coordenadoras da Associação Brasiliense de Pessoas com Doença Falciforme
O que é a doença falciforme
De natureza genética e hereditária, a doença falciforme altera o formato das hemácias, que assumem a forma de foice ou meia-lua, obstruindo os vasos sanguíneos e reduzindo o transporte de oxigênio pelo organismo. Essa condição gera crises de vaso-oclusão, dores agudas e vulnerabilidade a infecções. Atualmente, a Rede SES-DF possui mais de mil pacientes com a patologia cadastrados e sob acompanhamento especializado. A confecção das novas carteirinhas ocorreu em parceria com a Associação Brasiliense de Pessoas com Doença Falciforme (Abradfal).
A fonoaudióloga Luana Carolina Martins, que convive com a condição e atua como uma das coordenadoras da Associação Brasiliense de Pessoas com Doença Falciforme (Abradfal), recebeu sua carteirinha pioneira em um projeto-piloto em 2021 e hoje valida a importância da ampliação do documento para toda a rede pública. “A carteirinha vai ajudar as pessoas com doença falciforme quando chegarem à UPA ou a outras emergências, auxiliando a equipe médica a verificar os protocolos pelo QR code e a ter um norte para saber cuidar. O Hemocentro é um grande parceiro da nossa luta para divulgar mais sobre a doença”, afirma.
Fonte: Agência Brasília



