Apesar do retrospecto incômodo no futebol, fora de campo os países trabalham juntos pelo meio ambiente, na conservação de florestas tropicais.
A Noruega é a principal doadora do Fundo Amazônia, criado pelo Brasil em 2008, e recentemente tornou-se sócia no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês).
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Proteção das florestas tropicais
A Noruega se comprometeu, na ocasião, a investir US$ 3 bilhões no TFFF ao longo de dez anos, o maior aporte individual e o maior investimento dos noruegueses na conservação de florestas tropicais no planeta.
Na ocasião, o ministro do Clima e do Meio Ambiente daquele país, Andreas Bjelland Eriksen, disse que o mundo estava diante do desaparecimento das florestas, “com consequências que não eram exclusivas para o Brasil”. Segundo Eriksen, a medida ajudaria na mitigação da crise climática global.
Na visão do governo brasileiro, o apoio do país nórdico é fundamental para alavancar novos empréstimos e alcançar os US$ 10 bilhões iniciais. Com esse montante, o TFFF emitirá títulos que financiarão os projetos.
No radar, está a China, que, no fim de junho, mês do Dia Mundial das Florestas Tropicais, sinalizou a intenção de aderir, segundo informou o ministro da Fazenda brasileiro, Dario Durigan, ao Jornal Valor Econômico. O tema foi tratado em uma reunião entre Durigan e o ministro das Finanças da China, Lan Fo’an. De acordo com o ministro, equipes estão mobilizadas para acertar os detalhes da adesão.
Fundo Amazônia
O TFFF se diferencia de outras estratégias baseadas em doações, como o Fundo Amazônia, que também tem a Noruega como a principal parceira.
As medidas incluem ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de apoio à restauração florestal, regularização fundiária e produção sustentável.
Noruega e suas contradições
Embora a Noruega seja uma das maiores patrocinadoras de projetos verdes no mundo, o país é um dos principais exportadores de petróleo e gás, transferindo grande parte do seu impacto climático para o exterior, uma vez que os combustíveis fósseis são os mais poluentes e considerados vilões do aquecimento global no planeta.
Apesar da contradição, para ambientalistas, em termos de cooperação internacional, os nórdicos têm importante papel de liderança.
“Diferente do futebol, no caso da natureza, jogar junto, em parceria, é fundamental, nada está desvinculado”, avaliou o vice-presidente da Conservação Internacional (CI-Brasil), Maurício Bianco.
Ele lembrou que, internamente, a Noruega tem favorecido iniciativas limpas, como adoção de veículos elétricos.
Enquanto isso, outros grandes poluidores e desmatadores não demonstram protagonismo na agenda.
Bianco explicou que proteger, restaurar e manejar a natureza de forma sustentável pode reduzir os efeitos da mudança climática, mas exige investimentos.
“A Noruega mostra para os países desenvolvidos que é importante eles financiarem soluções que possam evitar a crise climática e a [perda de] biodiversidade, para que eles mesmos não sofram com os problemas, como está ocorrendo agora”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil



