Muito além de matar a fome ou controlar o peso, a alimentação influencia diretamente o funcionamento do organismo. Estudos mostram que uma alimentação rica em açúcares, gorduras e alimentos ultraprocessados, aliada à baixa ingestão de fibras, pode comprometer o equilíbrio do intestino e favorecer o surgimento de processos inflamatórios relacionados a doenças como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. Apesar disso, pequenas mudanças na rotina já são capazes de promover benefícios importantes para a saúde.
“Esse padrão alimentar reduz as bactérias benéficas e favorece o crescimento de outras que estimulam inflamações, prejudicando a proteção natural do intestino e dificultando o funcionamento adequado do organismo”, explica.
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Como a alimentação protege o intestino
“Preservar a saúde intestinal pode ser mais simples e acessível do que muitas pessoas imaginam. O tradicional prato com arroz, feijão, verduras e legumes continua sendo um grande aliado, assim como frutas, aveia, cereais integrais e azeite de oliva”
Bruna Pires, nutricionista da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Vicente Pires
Bruna destaca que esses sintomas merecem atenção, pois podem indicar que o intestino não está funcionando da forma como deveria e que o organismo já sofre as consequências desse desequilíbrio.
Além de participar da digestão, o intestino exerce papel importante na imunidade, na produção de vitaminas e na comunicação com o cérebro. Para a nutricionista, quando esse órgão está saudável, o organismo absorve melhor os nutrientes, fortalece as defesas naturais, reduz inflamações e favorece o bem-estar físico e emocional.
“Apesar dos riscos associados aos alimentos ultraprocessados, preservar a saúde intestinal pode ser mais simples e acessível do que muitas pessoas imaginam. O tradicional prato com arroz, feijão, verduras e legumes continua sendo um grande aliado, assim como frutas, aveia, cereais integrais e azeite de oliva”, afirma.
Alimentos como iogurte natural e kefir, uma bebida probiótica fermentada, também ajudam a manter o equilíbrio das bactérias benéficas do intestino. A especialista ressalta, no entanto, que probióticos devem ser consumidos apenas com orientação de um médico ou nutricionista.
Pequenas escolhas fazem diferença
“Eu consumia muitos ultraprocessados. Cresci com esse hábito, mas, com o passar dos anos, fui percebendo que quanto mais eu comia esse tipo de alimento, pior meu organismo reagia. Foi aí que comecei a reduzir esse consumo e senti uma melhora significativa”, relata Samila.
Para Bruna Pires, cuidar da alimentação não significa abrir mão do prazer de comer, mas fazer escolhas mais conscientes na maior parte do tempo. “Substituir refrigerantes por água, incluir uma fruta entre as refeições, trocar alimentos refinados por integrais e aumentar o consumo de legumes e verduras são atitudes que, mantidas ao longo dos anos, ajudam a proteger o intestino e reduzem o risco de doenças relacionadas à inflamação”, pontua.
A nutricionista explica que uma boa forma de compreender essas escolhas é observar o grau de processamento dos alimentos. A classificação Nova, desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) e adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, verduras, carnes, ovos, leite e cereais integrais.
Ingredientes culinários, como óleo, manteiga, açúcar e sal, devem ser utilizados com equilíbrio no preparo das refeições. Já os alimentos processados, como queijos, pães e conservas, podem fazer parte da alimentação com moderação. Os ultraprocessados, por sua vez, ricos em aditivos químicos e formulações artificiais, devem ter o consumo reduzido.
Fonte: Agência Brasília

