A rotina de tratamento para pacientes oncológicos do Hospital de Base foi temporariamente transformada por uma iniciativa que uniu música, carinho e conscientização. Ao som de “Anunciação”, de Alceu Valença, a programação especial realizada no décimo andar buscou oferecer um momento de descontração para quem enfrenta internações prolongadas.
Integração multidisciplinar e apoio emocional
A mobilização contou com a atuação conjunta de equipes de enfermagem, medicina, psicologia, serviço social, farmácia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia e nutrição. Durante a visita, foram distribuídas almofadas e lembranças arrecadadas por meio de doações, promovendo um ambiente de maior leveza no setor.
Para Kelly Marques, chefe do Serviço de Assistência Oncológica do décimo andar, a proposta também foi levar a mensagem de conscientização às mulheres que já enfrentam a doença e aos familiares que as acompanham.
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“É importante continuar disseminando informações sobre a prevenção. Mas também queremos proporcionar um momento de descontração, em que o paciente consiga se desligar um pouco do sofrimento, do diagnóstico e se divertir”, explica.
Histórias de superação e afeto na internação
Entre os presentes na ação estava Oselina Ramos de Souza, que se emocionou durante a entrega dos presentes. Ela cuida da irmã, Maria Ramos de Queiroz, vinda da Bahia especificamente para o tratamento médico na capital federal.
“Cuido dela com todo o prazer do meu coração, como se fosse minha mãe ou minha filha. Ela está passando por um processo muito difícil, mas tenho muita fé e sou grata aos médicos, enfermeiros e técnicos que estão cuidando dela”, relata.
O gesto de carinho despertou memórias familiares e trouxe conforto diante das preocupações cotidianas com a saúde.
“Eu me emocionei porque lembrei de muitas coisas boas. Amei de coração esse presente, tanto o meu quanto o da minha irmã. Fiquei muito feliz com esse cuidado”, conta.
Desafios e importância do diagnóstico precoce
Além do suporte psicológico, o evento serviu para alertar sobre a relevância da detecção antecipada de enfermidades mamárias. Com longa trajetória na área, o médico Sandro Martins pontua que identificar o problema antes dos sintomas aumenta as chances de cura e diminui a agressividade dos procedimentos necessários.
“É uma doença que pode ser diagnosticada precocemente e, com isso, tratada com maiores chances de cura. Quando identificamos o câncer antes dos sintomas, temos a oportunidade de oferecer um tratamento com maior possibilidade de sucesso”, destaca.
Apesar disso, os índices de rastreamento ainda preocupam os especialistas. Dados do Panorama do Câncer de Mama mostram que a cobertura da mamografia no país raramente supera 40% do público-alvo.
No âmbito do Sistema Único de Saúde, a recomendação oficial abrange mulheres dos 50 aos 74 anos, enquanto quadros de risco elevado demandam avaliação individualizada precoce.
“Não basta compartilhar publicações sobre o Outubro Rosa. É importante procurar a unidade básica de saúde, conversar com o médico e manter os exames em dia. Precisamos transformar a conscientização em uma atitude concreta”, orienta Sandro.

