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Brasil

Fundações sem fins lucrativos pagam salários maiores que empresas

Ultima atualização: 18 de dezembro de 2025 10:14
Por: Redação Publicado: 18 de dezembro de 2025
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As fundações privadas e associações sem fins lucrativos pagaram, em 2023, salários maiores que o de empresas. Os trabalhadores das fundações e associações recebiam, em média, R$ 3.630,71, o que correspondia a 2,8 salários mínimos. Já as empresas pagavam 2,5 mínimos.

Em 2023, ano-base da pesquisa, o valor médio do salário mínimo ficou em R$ 1.314,46.

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Tanto as instituições sem fins lucrativos quanto as empresas tiveram patamar de salário abaixo da administração pública, que pagou quatro salários mínimos em média.

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Os dados fazem parte de um levantamento divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo é uma radiografia das fundações privadas e associações sem fins lucrativos (Fasfil) no país. Os dados foram coletados no Cadastro Central de Empresas do IBGE (Cempre).

O levantamento começou a ser feito em 2002, mas, como houve mudança de metodologia, os dados de 2023 só podem ser comparados aos de 2022.

O instituto explica que são classificadas como Fasfil as associações comunitárias, fundações privadas, entidades religiosas, instituições educacionais e de saúde sem fins lucrativos.

Outras entidades, como sindicatos, partidos políticos, condomínios e órgãos paraestatais, como o Sistema S, não fazem parte do universo. Esse grupo à parte é chamado de entidades sem fins lucrativos, em vez de associações.

 


Rio de Janeiro (RJ) 30/11/2023 – Campus da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na Gávea. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ) 30/11/2023 – Campus da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na Gávea. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Campus da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), uma instituição sem fins lucrativos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Quase 600 mil

O IBGE identificou que, de 2022 para 2023, o número de fundações privadas e associações sem fins lucrativos cresceu 4%, passando de 573,3 mil para 596,3 mil.

Esse contingente representa 5% do total de organizações (11,3 milhões), amplo conjunto que inclui também empresas e órgãos da administração pública.

As fundações privadas e associações empregaram 2,7 milhões de pessoas, o que representa 5,1% do total de trabalhadores no país, e pagaram 5% dos salários.

Confira o ranking da remuneração média em salário mínimo (s.m.):

  • Administração pública: 4 s.m.
  • Fundações privadas e associações: 2,8 s.m.
  • Entidades sem fins lucrativos: 2,6 s.m.
  • Entidades empresariais: 2,5 s.m.
  • Total dos trabalhadores: 2,8 s.m.

Atividades

O estudo identificou que pouco mais de um terço (35,3%) das fundações privadas e associações sem fins lucrativos é classificado como entidade religiosa.

  • Entidades religiosas: 210,7 mil
  • Cultura e recreação: 89,5 mil
  • Desenvolvimento e defesa de direitos: 80,3 mil
  • Associações patronais e profissionais: 69,5 mil
  • Assistência Social: 54 mil
  • Educação e Pesquisa: 28,9 mil
  • Meio Ambiente e Proteção Animal
  • Habitação: 626
  • Outros: 49,1 mil

De cada dez trabalhadores nessas instituições, quatro (41,2%) atuam na área de saúde, maior empregadora, ocupando 1,1 milhão de pessoas.

 


Rio de Janeiro (RJ), 05/04/2023 - Projeto Lugares de Memória propõe roteiros que percorrem marcos simbólicos do período da ditadura militar na cidade, como o prédio da Santa Casa de Misericórdia, no Centro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 05/04/2023 - Projeto Lugares de Memória propõe roteiros que percorrem marcos simbólicos do período da ditadura militar na cidade, como o prédio da Santa Casa de Misericórdia, no Centro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Santa Casa de Misericórdia, no Centro do Rio de Janeiro, é uma institução sem fins lucrativos da área da saúde. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A área educação e pesquisa emprega 27,7%, à frente da assistência social (12,7%).

Enquanto as mulheres são 45,5% do total de empregadas de organizações no país, no universo das Fasfil elas chegam a 68,9% dos assalariados. Especificamente na área de educação infantil, elas são nove de cada dez (91,7%) trabalhadores.

Entretanto, assim como na totalidade do mercado de trabalho brasileiro, as mulheres recebem menos que os homens nas Fasfil. O IBGE identificou que nas fundações privadas e associações sem fins lucrativos, elas recebem 19% menos que eles.

Para o coordenador de Cadastros e Classificações do IBGE, Francisco Marta, o levantamento mostra a importância econômica e social desse setor no país.

“Elas complementam as ações de governo em serviço como saúde, educação, assistência social, defesa de direitos, meio-ambiente”, diz. “Contribui com bastante força na riqueza do país”

Porte das empresas

As fundações privadas e associações sem fins lucrativos tinham, em média, 4,5 empregados. Mas 85,6% delas não tinham nenhum empregado formal. Apenas 0,7% tinham 100 ou mais funcionários.

As atividades em que as Fasfil tinham maiores portes eram os hospitais (269,7 assalariados), de saúde (132,5), de ensino superior (73,9) e ensino médio (73,8).

Na base do ranking, estão as de religião, com 0,6 assalariados.

Fonte: Agência Brasil

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