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Distrito Federal

Criação de quatro novas RAs em sete anos levou infraestrutura, serviços e dignidade a mais de 200 mil brasilienses

Ultima atualização: 4 de abril de 2026 12:10
Por: Redação
Publicado: 4 de abril de 2026
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Filha de pais analfabetos, Margarida Minervina, 53 anos, saiu de São Julião — cidade piauiense com pouco mais de 6 mil habitantes, 400 km distante da capital, Teresina — para, segundo ela, “romper o ciclo do analfabetismo”. No Distrito Federal, ela não só conseguiu, como foi responsável por ajudar na educação de mais de 2,5 mil crianças e adolescentes, por meio da Associação Despertar Sabedoria no Sol Nascente.

Mas o caminho não foi fácil. Em 2001, quando chegou à área onde iniciou o projeto, a pedagoga encontrou um cenário parecido ao que deixou para trás. “Todo mundo dizia que a gente era louco de estar nesse lugar que só tinha mato e muriçoca. Não tinha água, não tinha luz. O primeiro dia que eu dormi aqui com meus três filhos, a gente se embrulhou no lençol e deixou só o olho de fora, senão os pernilongos carregavam”, lembra.

Passados 25 anos, o Sol Nascente/Pôr do Sol, hoje, tem administração regional própria. Com isso, as mudanças foram tão significativas quanto as que Margarida viveu e as que propiciou aos estudantes assistidos pelo projeto. “A diferença é muito grande. Você tem asfalto, tem rede de internet, pode escolher qual internet vai colocar, tem água, tem luz, tem uma infraestrutura, você vê a diferença. Você pode sair da sua casa, ir caminhando pegar um ônibus e não chegar com o tênis todo cheio de lama”, relata.

“Tenho muito orgulho de dizer que sou moradora do Sol Nascente. Vivo aqui há 25 anos e nunca deixei de dizer que amo a minha cidade e que agradeço cada momento que passei aqui e cada infraestrutura que chegou: cada poste, cada pedaço de asfalto, cada escola”, acrescenta.

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Moradora do Sol Nascente há 25 anos, Margarida Minervina se surpreende com a transformação da região administrativa: “Você tem asfalto, tem rede de internet, pode escolher qual internet vai colocar, tem água, tem luz, tem uma infraestrutura, você vê a diferença” |Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Investimentos

De 2019 para cá, o DF ganhou quatro novas regiões administrativas. O Sol Nascente/Pôr do Sol foi a primeira, em 14 de agosto de 2019. Pouco mais de um mês depois, foi a vez de Arniqueira, em 1º de outubro do mesmo ano. Em 21 de dezembro de 2022, vieram as outras duas: Arapoanga e Água Quente.

Para que essas áreas pudessem ganhar administrações regionais próprias, foram feitos estudos sobre a situação legal dos terrenos, a distância para o centro da região a que elas estavam originalmente ligadas e o tamanho da população residente. Atualmente, as quatro somam, segundo estimativas, 213.402 moradores, sendo 30 mil em Água Quente, 47.336 em Arapoanga, 45 mil em Arniqueira, e 91.066 no Sol Nascente/Pôr do Sol.

O Distrito Federal ganhou quatro novas regiões administrativas nos últimos sete anos: Sol Nascente/Pôr do Sol, Arniqueira, Arapoanga e Água Quente| Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Com a oficialização como RA, vêm os investimentos. Ao todo, as novas regiões receberam mais de R$ 568 milhões destinados a obras e serviços já concluídos ou em andamento. Dos mais simples — como reforma de praças e instalação de luminárias e pontos de ônibus — aos mais complexos — pavimentação de vias, construção de calçadas e de redes para escoamento de água da chuva, e criação de unidades de saúde, delegacias, escolas e creches.

Só para citar alguns exemplos, o Sol Nascente/Pôr do Sol ganhou uma rodoviária. Estão em andamento as construções de um Centro Educacional (CED) na Colônia Agrícola Vereda Grande, em Arniqueira, e de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Água Quente. E Arapoanga, em breve, terá um Centro de Educação da Primeira Infância (Cepi), que está em fase de licitação.

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“Você faz um perfil de toda a comunidade que está ali, levanta todas as necessidades e faz um planejamento urbanístico, como uma cidade nova, para atender às necessidades daquela população de uma maneira mais próxima. O serviço público tem que chegar a ela com mais rapidez, com mais condições de atender essas pessoas dentro das suas necessidades. Elas precisam ter condição de ir e vir, de estudar, de ter saúde, de ter uma assistência social, de ter mais segurança, bem como um desenvolvimento econômico para que o emprego também seja gerado ali naquele local, para diminuir a mobilidade urbana”, aponta o ex-secretário de Governo, José Humberto Pires de Araújo.

José Humberto Pires de Araújo: “Você faz um perfil de toda a comunidade que está ali, levanta todas as necessidades e faz um planejamento urbanístico, como uma cidade nova, para atender às necessidades daquela população” | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Proximidade

Além de colocar os serviços mais próximos do cidadão, a criação de uma administração regional, na avaliação do ex-secretário, abre mais um canal de comunicação dos moradores com o governo. “Você coloca ali uma estrutura de pessoas com condições de pensar a cidade. À medida que você coloca uma sede de uma administração e dota ela de profissionais para poder pensar a cidade, para planejar a cidade, a população incorpora isso como uma coisa muito positiva, porque ela tem onde conversar, para onde recorrer, para onde fluir com as suas demandas e vice-versa. Então esse é um aspecto extremamente relevante.”

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E essa é exatamente a sensação da agente de saúde Francisca Maria de Almeida, 63. Como ela mesmo define, quando chegou à área que depois viria a ser Água Quente, há 28 anos, “não tinha praticamente nada” e os moradores eram dependentes do Recanto das Emas, cujo centro está a mais de 20 km da região: “A gente era o quintal de lá”.

Francisca Maria de Almeida, moradora de Água Quente: “Agora o governo sabe que a gente existe. Que nós estamos aqui, que somos uma cidade. E isso é a melhor coisa” | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Com o tempo — e a oficialização como região administrativa —, vieram os serviços públicos e a infraestrutura de uma cidade. “Mudou tanta coisa que você nem imagina. Nós não tínhamos sinalização, hoje em dia temos em cada quadra. O SLU [Serviço de Limpeza Urbana] está direto aqui, tem as creches, colégio, tem ônibus e iluminação em local que não tinha”, elenca.

Mas o principal para dona Francisca é um ponto que resume — e por si só justifica — a necessidade da criação de uma região administrativa: “Agora o governo sabe que a gente existe. Que nós estamos aqui, que somos uma cidade. E isso é a melhor coisa”.

Fonte: Agência Brasília

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