O Distrito Federal contabiliza 23 casos confirmados de mpox em 2026, sendo oito registrados somente em outubro. Os dados divulgados nesta quarta-feira (4/11) reforçam a necessidade de atenção à circulação do vírus, ao reconhecimento dos sintomas e às medidas de prevenção.
Embora os números ainda sejam relativamente baixos, a concentração de diagnósticos em um único mês exige acompanhamento das autoridades de saúde. A mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus que pode provocar febre, dores musculares, aumento dos gânglios linfáticos e lesões na pele.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato físico próximo com pessoas infectadas, especialmente com lesões, mucosas e secreções, inclusive durante relações íntimas. O compartilhamento de objetos contaminados, como toalhas e roupas de cama, também pode representar risco.
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Aumento de casos de mpox no DF preocupa especialistas
Para o infectologista Dr. Daniel Paffili Prestes, o crescimento dos registros merece atenção, mas não significa necessariamente que o Distrito Federal esteja enfrentando uma epidemia.
Segundo o especialista, é necessário avaliar a quantidade de exames realizados, a existência de vínculos epidemiológicos entre os pacientes e a possibilidade de casos ainda não identificados.
“O registro de oito novos casos de mpox em apenas um mês merece atenção porque demonstra que o vírus continua circulando e que existem oportunidades de transmissão na população. Embora o número absoluto ainda seja relativamente pequeno, precisamos observar a velocidade com que os diagnósticos aparecem, a existência de vínculos epidemiológicos entre os pacientes e a possibilidade de casos que ainda não foram identificados”, explica.
O médico acrescenta que um aumento concentrado em poucas semanas pode indicar intensificação da transmissão, mas também estar relacionado à ampliação da testagem.
Quais são os principais sintomas da mpox?
Os sintomas da mpox podem aparecer entre 3 e 21 dias após a exposição ao vírus. As manifestações variam de pessoa para pessoa, e nem todos os pacientes apresentam febre antes do surgimento das lesões.
Entre os principais sinais da doença estão:
- Lesões na pele: podem começar como manchas ou pequenas elevações, evoluindo para bolhas, pústulas e crostas.
- Febre: pode surgir acompanhada de calafrios e mal-estar.
- Ínguas: aumento dos gânglios linfáticos, especialmente no pescoço, nas axilas e na virilha.
- Dores musculares: desconforto no corpo, dor de cabeça e cansaço.
- Feridas na região genital ou anal: algumas pessoas apresentam lesões dolorosas nessas regiões.
- Lesões na boca: podem causar desconforto para engolir ou se alimentar.
Em determinados casos, o paciente pode apresentar apenas uma ou poucas lesões, dificultando o reconhecimento inicial da infecção.
Como diferenciar mpox de catapora, herpes e alergias?
Uma das principais dificuldades para a população é identificar corretamente as lesões provocadas pela mpox.
Na catapora, é comum encontrar manchas, bolhas e crostas em diferentes estágios de evolução, geralmente acompanhadas de coceira intensa.
O herpes simples costuma provocar pequenas bolhas agrupadas, acompanhadas de ardência ou dor.
Já as alergias de pele frequentemente se manifestam por vermelhidão, placas e coceira.
Na mpox, as lesões podem apresentar aspecto profundo e firme, algumas vezes com uma pequena depressão central. Entretanto, essa aparência não ocorre em todos os pacientes.
“As lesões da mpox podem ser confundidas com várias doenças dermatológicas, especialmente nos primeiros dias. Por isso, é importante observar não apenas a aparência das feridas, mas também a evolução, a localização, os sintomas associados e a possibilidade de contato recente com alguém infectado”, orienta o infectologista.
A avaliação visual isolada não confirma a doença. O diagnóstico geralmente é realizado por exame de PCR, utilizando material coletado das lesões.
Existem variantes mais perigosas da mpox?
O vírus da mpox apresenta dois grandes grupos genéticos, conhecidos como clado I e clado II, que possuem subdivisões e características epidemiológicas distintas.
O clado IIb esteve associado à maior parte do surto internacional iniciado em 2022. Já o clado I ganhou atenção por sua associação histórica com quadros mais graves em determinados surtos.
Entretanto, o tipo de vírus não determina sozinho a gravidade da infecção.
“O clado IIb foi responsável pela maior parte do surto internacional iniciado em 2022 e, de maneira geral, esteve associado a quadros leves ou moderados na maioria dos pacientes. Já o clado I, historicamente identificado em regiões da África Central, foi associado a taxas mais elevadas de complicações e mortalidade em determinados surtos”, esclarece Daniel.
Pessoas com comprometimento importante do sistema imunológico, especialmente pacientes com HIV avançado sem controle adequado, podem apresentar maior risco de complicações.
Como evitar a transmissão da mpox?
A prevenção envolve cuidados individuais e a identificação precoce dos casos suspeitos.
Entre as principais recomendações estão:
- Evitar contato físico próximo com pessoas que apresentem lesões suspeitas.
- Não compartilhar toalhas, roupas de cama ou objetos pessoais potencialmente contaminados.
- Higienizar frequentemente as mãos com água e sabão ou álcool em gel.
- Evitar relações íntimas e contato direto com lesões enquanto houver suspeita de infecção.
- Procurar atendimento médico ao identificar sintomas compatíveis com a doença.
- Seguir as orientações de isolamento em caso de diagnóstico confirmado.
Pessoas com mpox devem manter as medidas de isolamento recomendadas pelos profissionais de saúde até que todas as lesões estejam completamente cicatrizadas e uma nova camada de pele tenha se formado.
Quando procurar atendimento médico no Distrito Federal?
A orientação é procurar uma unidade de saúde ao identificar lesões novas e sem causa conhecida, principalmente quando surgirem nas regiões genital, anal ou oral, ou estiverem acompanhadas de febre e aumento dos gânglios linfáticos.
Também é importante informar ao profissional de saúde sobre possíveis contatos recentes com pessoas diagnosticadas com mpox.
A maioria dos pacientes apresenta quadros leves ou moderados, com tratamento baseado no alívio dos sintomas e no acompanhamento clínico. Entretanto, casos graves podem exigir atendimento especializado e internação.
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e interromper possíveis cadeias de transmissão.
Sobre o especialista: Dr. Daniel Paffili Prestes é infectologista, com residência médica no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e especialização pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Possui fellowship em pesquisa clínica pela Universidade de Harvard e atua em hospitais de referência em São Paulo.
CRM-SP 133703 | RQE 43924.

