Um importante trabalho científico desenvolvido na capital do país foi selecionado para ser exposto no ISPOR Europe 2026, considerado um dos principais congressos internacionais voltados para a economia da saúde e a avaliação de resultados na área médica. O evento ocorre entre os dias 8 e 11 de novembro no Austria Center Vienna, localizado em Viena, na Áustria.
Participação internacional da saúde do Distrito Federal
O responsável pela apresentação na conferência global é o pesquisador Francino Machado de Azevedo Filho, que atua no Centro de Inovação em Saúde (CIESP), vinculado à Escola de Saúde Pública do Distrito Federal e à Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs). O projeto foi construído em parceria direta com o Ministério da Saúde.
A pesquisa aborda o tratamento de insuficiência adrenal por meio da rede pública, condição clínica na qual as glândulas suprarrenais deixam de sintetizar hormônios vitais, com destaque para o cortisol. Trata-se de uma enfermidade que demanda cuidados contínuos, sendo que a ausência de fármacos adequados pode desencadear episódios graves e fatais.
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“O tratamento segue as mesmas diretrizes em todo o país, mas cada estado tem uma realidade diferente. O estudo oferece informações que podem ajudar a atualizar o protocolo nacional. Isso significa que a ciência produzida no Distrito Federal está ajudando a orientar uma política pública que poderá beneficiar pacientes de todo o país”, explicou Francino.
Análise de dados do DataSUS
Batizado de Um protocolo nacional, muitas realidades locais, o levantamento examinou o funcionamento prático das diretrizes terapêuticas no Brasil durante o biênio 2024-2025. Para isso, foram cruzadas informações públicas obtidas no DataSUS.
A investigação contemplou mais de 870 mil registros relacionados a custos, óbitos, internações e distribuição de remédios para o Sistema Único de Saúde, viabilizando o acompanhamento de 1.345 pessoas. Como conclusão principal, o levantamento apontou discrepâncias significativas na adesão terapêutica entre as unidades federativas, registrando marcas que oscilaram de 0,9% a 83%.
“Mostra que a ciência produzida no Distrito Federal está no mesmo nível dos trabalhos apresentados nos principais centros de pesquisa do mundo. Nosso estudo passou por uma avaliação de pesquisadores internacionais da área, que selecionaram o trabalho para apresentação”, disse.
Desempenho regional de destaque
Enquanto o cenário nacional revelou disparidades acentuadas, o Distrito Federal se destacou positivamente nos indicadores analisados pelo levantamento científico.
“O Distrito Federal apresentou resultados expressivos. A cada oito pacientes diagnosticados com a doença, conseguimos oferecer o tratamento adequado a sete. Esse índice é praticamente o dobro da média nacional. No DF, quando o paciente chega à rede de saúde, consegue receber o tratamento adequado. A rede funciona e apresenta bons resultados”, afirmou o pesquisador.
O autor do estudo possui ampla formação acadêmica, sendo enfermeiro, mestre e doutor em Enfermagem pela Universidade de Brasília (UnB), além de contar com experiência internacional obtida na University of Florida, nos Estados Unidos. Na gestão pública local, já esteve à frente da coordenação de urgência e emergência e da diretoria de Atenção Secundária à Saúde, liderando atualmente o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso (PRMSAI).

