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Distrito Federal

Quarta idade avança no Brasil e desafia rede de saúde a se adaptar

Ultima atualização: 3 de abril de 2026 12:25
Por: Redação
Publicado: 3 de abril de 2026
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O brasileiro está vivendo mais, e, no Distrito Federal, essa mudança já impacta diretamente a organização dos serviços de saúde. O envelhecimento populacional vem avançando nas últimas décadas e evidencia um fenômeno cada vez mais presente: o aumento do número de pessoas com 80 anos ou mais, a chamada quarta idade.

O termo é utilizado por especialistas para designar essa etapa da vida em que a longevidade se intensifica, mas também traz novos desafios sociais e de saúde, exigindo acompanhamento mais próximo e contínuo.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022, indicam que o Brasil já conta com cerca de 4,6 milhões de pessoas com mais de 80 anos. Entre os idosos, a faixa etária mais numerosa é de 65 a 69 anos, com 7,9 milhões de brasileiros, mas o grupo que mais cresce é justamente o de idade mais avançada.

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Na contramão, a população mais jovem vem diminuindo. Pessoas com 0 a 14 anos somam 40,1 milhões, 19,7% da população. Já a expectativa de vida no país chegou a 77 anos, sendo maior entre as mulheres (80,5 anos) do que entre os homens (73,6 anos).

Esse cenário reflete uma mudança marcada pela redução das taxas de natalidade e pelo aumento da longevidade, tendência observada em diversos países e que amplia a presença de idosos em idades cada vez mais avançadas.

Realidade que já impacta a rede de saúde

No Distrito Federal, essa transformação já é percebida na rotina das unidades de saúde. Hospitais administrados pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), como o Hospital Cidade do Sol, convivem com o aumento do número de pacientes em idades mais avançadas, muitos deles em situação de internação prolongada.

Gilberto Gomes Barbosa tem quase 70 anos de idade, está internado há três meses no HSol por problemas cardíacos, e dedica tempo à produção literária e musical| Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

Para o médico Álvaro Modesto, chefe de Núcleo Médico do HSol, esse novo perfil exige mudanças na forma de cuidar.

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“Na prática, isso já aparece no dia a dia dos hospitais. Temos mais pacientes acima dos 80 anos, muitos com necessidade de acompanhamento contínuo e apoio para atividades básicas. Isso muda a forma como organizamos o cuidado”, explica.

Com mais pessoas vivendo por mais tempo, cresce também a necessidade de acompanhamento por parte de familiares, como filhos e cônjuges, além do suporte da rede de saúde.

“As famílias também precisam se adaptar a essa realidade. Pais e avós estão vivendo mais e, muitas vezes, precisam de um cuidado mais próximo na rotina”, acrescenta o médico.

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Cuidado contínuo e qualidade de vida

O aumento da chamada quarta idade também exige uma abordagem mais integrada dentro dos serviços de saúde. Questões como mobilidade, uso correto de medicamentos, alimentação e acompanhamento clínico ganham ainda mais importância.

Para o ortopedista Rodrigo do Carmo, chefe do serviço de ortopedia do Hospital de Base do Distrito Federal, o cuidado adequado faz diferença na autonomia dos pacientes.

“Depois dos 80 anos, o acompanhamento ajuda a reduzir riscos e contribui para que o idoso mantenha autonomia e qualidade de vida”, explica.

Em unidades do IgesDF, o atendimento a esse público envolve equipes multiprofissionais e, em muitos casos, acompanhamento contínuo ou internações prolongadas, especialmente entre pacientes com maior grau de dependência.

Gilberto Gomes Barbosa é um desses exemplos. Aposentado e com quase 70 anos de idade, está internado há três meses no HSol por problemas cardíacos.

Mesmo durante a internação, ele mantém a independência e não precisa de acompanhante permanente. Ainda assim, recebe visitas frequentes de irmãos e amigos, que passam pelo hospital sempre que a rotina de trabalho e estudos permite. A família, segundo ele, fica tranquila ao saber que está bem assistido pela equipe de saúde.

“Tenho sido muito bem tratado. Minha família fica tranquila e eu procuro aproveitar o tempo me mantendo ocupado enquanto estou aqui”, ressalta Gilberto Gomes Barbosa.

Além da rotina de cuidados com a saúde, o paciente também dedica tempo à produção literária e musical. Ele é escritor e compositor e afirma que sempre gostou de escrever. Atualmente, já tem cinco livros publicados e trabalha em uma nova obra inspirada na própria experiência durante a internação no Hospital Cidade do Sol.

Desafio que tende a crescer

O crescimento da população com mais de 80 anos segue uma tendência global. Projeções indicam que, até 2050, o mundo terá cerca de 2 bilhões de pessoas com 60 anos ou mais, ampliando o debate sobre políticas públicas, cuidados de longo prazo e organização do apoio familiar.

No Distrito Federal, o desafio já é presente: não se trata apenas de viver mais, mas de garantir que essa longevidade venha acompanhada de qualidade de vida, autonomia e acesso a uma rede de saúde preparada para atender uma população cada vez mais envelhecida.

Fonte: Agência Brasília

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