Hospital Regional de Santa Maria capacita equipes em emergências obstétricas

Treinamento no HRSM prepara equipes para agir em emergências obstétricas

Profissionais de saúde do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), participaram de um treinamento prático voltado para o enfrentamento de emergências obstétricas, realizado recentemente no centro de simulação realística da unidade. A iniciativa focou na capacitação das equipes para agir rapidamente diante de casos de parada cardiorrespiratória em gestantes, unindo o rigor técnico e o suporte integrado entre diferentes especialidades médicas.

Simulações realísticas e avaliação de condutas A atividade “Simulação Realística: RCP em Adultos e Manejo da Parada Cardiorrespiratória na Gestante” foi promovida pelo Núcleo de Educação Permanente (Nudep), vinculado à Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep). O treinamento reuniu colaboradores da linha de Ginecologia e Obstetricia para revisar os protocolos de reanimação cardiopulmonar (RCP) e identificar de forma precoce os sinais de agravamento clínico em pacientes grávidas.

Durante os encontros, realizados nos dias 23 e 30 de outubro, os participantes enfrentaram cenários simulados que exigiram agilidade mental, tomada de decisão assertiva e comunicação integrada. Após cada simulação, o enfermeiro emergencista Brenner Saboia conduziu uma avaliação coletiva do desempenho das equipes.

“Precisamos aprimorar nosso olhar clínico a cada dia, e a prática é fundamental nesse processo. É importante observar todo o histórico da paciente, reconhecer sinais de agravamento e compreender a situação antes de agir. Na simulação, temos a oportunidade de avaliar nossas condutas; na realidade, a pressão é muito maior, porque estamos lidando diretamente com vidas”, explica.

Integração e desafios no atendimento materno-infantil A ocorrência de uma parada cardiorrespiratória exige intervenção imediata para restabelecer a circulação sanguínea. No entanto, o atendimento a mulheres grávidas demanda cuidados redobrados devido às alterações fisiológicas da gestação, exigindo a proteção simultânea da mãe e do feto. Para a chefe do Serviço de Enfermagem do Centro Obstétrico do HRSM, Ariodene Carvalho, a complexidade dos casos recebidos na instituição torna essa preparação indispensável.

“Essa capacitação é muito importante para o atendimento às urgências e emergências dentro do centro obstétrico, principalmente pelo grau de gravidade das pacientes que recebemos no HRSM. Precisamos preparar nossos colaboradores para agir diante de qualquer intercorrência, independentemente do horário em que ela aconteça, seja durante o dia ou nos plantões noturnos”, destaca.

O reforço no raciocínio clínico também foi enfatizado por Brenner Saboia, que apontou a necessidade de preparar os profissionais para lidar com intercorrências que ultrapassam a rotina habitual dos partos sem complicações.

“Nem toda gestante chega ao hospital apenas para um parto sem intercorrências. Algumas podem apresentar quadros clínicos complexos, e a equipe precisa reconhecer os sinais, compreender a gravidade da situação e saber como agir. Queremos estimular esse pensamento crítico para que os profissionais tenham mais segurança na tomada de decisão”, ressalta.

O instrutor também pontuou que o gerenciamento dessas ocorrências difere do atendimento tradicional prestado em prontos-socorros adultos.

“Uma emergência no centro obstétrico é diferente daquela que encontramos em um pronto-socorro adulto. Estamos diante de uma mulher e de um bebê, e isso exige raciocínio clínico, controle emocional, decisões rápidas e, sobretudo, trabalho em equipe. A atuação integrada da enfermagem, ginecologia e obstetrícia, pediatria e neonatologia é fundamental para garantir uma resposta ágil e segura, considerando as necessidades da mãe e do bebê”, explica.

Visão da equipe e segurança para pacientes A dinâmica de ensaio permitiu que os profissionais testassem rotinas e alinhassem condutas antes de encararem cenários reais na assistência hospitalar. A enfermeira Geise Oliveira pontuou a relevância da vivência prática para unificar o conhecimento entre as equipes de suporte à mãe e ao recém-nascido.

“Esse treinamento é fundamental para estarmos preparados para atender nossas pacientes em uma situação de parada cardiorrespiratória. Precisamos pensar não apenas na mãe, mas também no bebê, e manter toda a equipe alinhada, tanto no conhecimento quanto na prática”, afirma.

Tendo atuado em contextos similares anteriormente, Geise reconhece a alta carga de adrenalina presente nos plantões reais.

“No cenário real, a adrenalina é muito maior e a responsabilidade também. Por isso, é tão importante treinar. Quando se trata de uma gestante, precisamos estar articulados com as equipes de obstetrícia e pediatria, porque também pode ser necessário preparar a assistência ao bebê”, acrescenta.

A técnica de enfermagem Lilian Ferreira também avaliou o impacto positivo da qualificação em sua trajetória profissional diária.

“Essas capacitações agregam muito à nossa vida profissional. São oportunidades de crescer, atualizar os conhecimentos e relembrar condutas que, com a correria do dia a dia, nem sempre temos a chance de praticar. Estar aqui e vivenciar essas situações faz muita diferença para o nosso trabalho”, avalia.

As ações contínuas de educação permanente reforçam o compromisso da unidade com a excelência assistencial e refletem diretamente na tranquilidade das famílias atendidas.

“Para as gestantes e suas famílias, esse preparo representa uma segurança que nem sempre é percebida durante uma consulta ou internação, mas que pode ser decisiva nos momentos mais delicados: saber que, diante de uma emergência, existe uma equipe capacitada para agir quando cada segundo faz diferença”, conclui Ariodene.