O interesse de turistas em conhecer a cidade do Rio de Janeiro além dos cartões-postais tradicionais, como o Corcovado e o Pão de Açúcar, tem contribuído para o incremento de ações nas favelas cariocas. Visitantes nacionais e estrangeiros querem conhecer de perto o dia a dia das comunidades, bem como suas crescentes atrações.

É o caso do projeto Na Favela Drone, integrante da iniciativa Na Favela Turismo, criada em 2018 por Renan Monteiro, na Rocinha. Lajes e mirantes da Rocinha, Vidigal e Pavão-Pavãozinho/Cantagalo (PPG) são transformados em pontos turísticos com voos de drone feitos por moradores locais. Eles participam de cursos que os preparam para o primeiro emprego.
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O projeto lançado qualifica moradores das comunidades para atuarem como pilotos de drones que acabam gerando uma cadeia econômica produtiva que beneficia guias turísticos, mototaxistas, bem como os anfitriões das lajes.
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No início, foram dadas aulas de pilotagem próximo ao Mirante Rocinha, primeiro negócio de Na Favela Turismo. Mas a adesão foi rápida. Hoje, são 10 pilotos formados, que recebem visitantes para os voos, além de outros profissionais integrados ao projeto. Um dos primeiros vídeos foi produzido por Betour, guia e morador da Rocinha, e despertou interesse entre turistas, ajudando a consolidar o produto, que se transformou em um dos conteúdos mais procurados por visitantes estrangeiros nesta temporada.
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Oportunidade
Rogério Nascimento Feitosa foi um dos primeiros pilotos formados e, atualmente, coordena a equipe de pilotos dos drones. Ele vê o projeto como uma “imensa oportunidade de ajuda tanto para a comunidade em si, como para o turismo. Ajuda a movimentar o mercado local e o exterior também”.
No momento, ele está recrutando jovens entre 17 e 18 anos, moradores das comunidades que fazem parte do projeto, para uma nova turma de pilotos de drones, cujas aulas deverão começar entre os dias 3 e 5 de fevereiro próximo. O curso já prepara os jovens para o mercado de trabalho.
Além de morar nas comunidades, os candidatos devem provar que estão estudando e com boas notas. “Não adianta só falar que está na escola. A galera aqui da comunidade já fica empregada e, inclusive, ganha bem”.
Segundo Feitosa, os jovens ficam animados com a experiência, porque “o drone é como se fosse um videogame, só que da vida real. Eu sempre digo isso para eles. Sem falar que o salário em si é bem atraente. Alguns que já aprenderam mesmo a trabalhar com a gente ganham até mais do que os pais”.
Em média, são entre 30 a 50 pessoas querendo uma vaga. Cada turma forma dez pilotos. Os restantes disputam outra seleção, para vagas de edição. “Porque a nossa equipe (do projeto) não tem só os pilotos. Tem outra galera que faz as edições.”
Retomada
”O Mirante foi o pontapé inicial do Na Favela Turismo para retomar o turismo na Rocinha e Vidigal, após um caso que afastou os visitantes”, disse Renan Monteiro à Agência Brasil. Em outubro de 2017, a turista espanhola Maria Esperanza Jiménez Ruiz morreu na Rocinha, baleada por policiais militares, em confronto com bandidos. O fato levou as agências de turismo a suspender temporariamente as excursões àquela comunidade.
“Mas graças a Deus já se passaram oito anos e o turismo só cresce. E de uma forma que nunca houve antes. Porque agora, mais do que nunca, o morador está inserido. A gente já tem várias empresas de turismo da comunidade, novos negócios estão surgindo aqui dentro. E o nosso papel é sair do mirante e espalhar o turismo para a favela inteira”.
A partir da divulgação dos vídeos dos drones, mais turistas demonstram interesse para visitar as comunidades e fazer vídeos de drone. “E a gente aproveita essa visita para que ele conheça também a comunidade por inteiro e saia daqui com uma perspectiva legal da favela”.
“O turista faz uma pose, os pilotos fazem o voo com o turista na laje e ele aparece no vídeo”. Monteiro explicou que “o grande lance do vídeo, que viralizou recentemente e está rodando, pelo menos, para a América Latina inteira, é porque a gente consegue mostrar a dimensão da favela. Conforme o drone vai se afastando do turista que está no vídeo, a consegue ver a imensidão da Rocinha. Acho que é isso que mais impressiona.”
A ideia sempre foi qualificar os moradores das comunidades, visando que a favela e seus valores sejam apresentados por quem vive nas regiões. “O resultado vai além de um vídeo bonito: é emprego, cena cultural valorizada e narrativa positiva que chega ao mundo mostrando o verdadeiro valor da Rocinha, do Vidigal e PPG”, disse Renan Monteiro.
Alta temporada
De acordo com Monteiro, o interesse turístico pela atividade dos drones é crescente justamente na alta temporada de verão 2026, que se estende de dezembro de 2025 a março deste ano e projeta recordes históricos para o turismo na capital fluminense.
A expectativa é que o Rio de Janeiro receba no período mais de 5,7 milhões de visitantes, aumento superior a 14% em relação ao verão anterior, impulsionados pela ampliação da malha aérea internacional e pelo otimismo do setor.
Do total, cerca de 1,2 milhão são turistas estrangeiros, com alta de 12%. O incremento de visitantes deverá movimentar cerca de R$ 12,8 bilhões na economia carioca, mostrando expansão de 18% sobre o verão de 2025. (Alana Gandra)
Fonte: Agência Brasil