“Em reuniões de caso clínico, era comum a equipe se referir ao paciente pela patologia e pelo leito, em vez de usar o nome da criança. Não se levava em consideração quem era aquele sujeito, seus sonhos e desejos”
Valdenize Tiziani, diretora executiva do HCB
Na abertura das atividades, a diretora executiva do HCB, Valdenize Tiziani, relembrou a evolução histórica da criança como sujeito de direitos e destacou a mudança de paradigma dentro da medicina. Segundo a diretora, historicamente, o saber médico priorizava o diagnóstico em detrimento da identidade do paciente.
“Em reuniões de caso clínico, era comum a equipe se referir ao paciente pela patologia e pelo leito, em vez de usar o nome da criança. Não se levava em consideração quem era aquele sujeito, seus sonhos e desejos”, contextualizou Tiziani.
Hoje, o HCB fundamenta suas práticas em diretrizes legais de proteção, como a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas.
Brinquedotecas e a construção da cidadania
A conferência de abertura, intitulada “O papel do brincar no ambiente hospitalar de crianças e adolescentes”, foi ministrada por Maria Célia Malta Campos, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP) e presidenta da Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABBri). A palestrante defendeu a universalização do acesso ao “brincar livre, em todos os lugares e para todos”. Para ela, a criança utiliza a brincadeira para elaborar e evocar experiências vividas, enquanto o adulto e o idoso utilizam o lúdico como ferramenta de projeção e criatividade. “O adulto pode viajar para outro planeta, ir para o futuro, devanear”, explicou.
Práticas integradas de humanização no HCB
“Foi a necessidade de me comunicar com a criança que me fez usar a criatividade, a música e o balé”
Luciana Monte, médica coordenadora de Pneumologia Pediátrica do HCB
A integração entre as equipes assistenciais e a pedagogia hospitalar foi o ponto central da intervenção de Lorena Borges, gerente da Linha de Cuidado ao Paciente Oncohematológico. Borges explicou que a ambientação do HCB é utilizada estrategicamente para preservar a identidade da criança durante o tratamento, adequando as ações educativas a cada fase do desenvolvimento.
Na área de reabilitação física, o terapeuta ocupacional Tulio Medina demonstrou como o ambiente externo do hospital pode se transformar em recurso terapêutico. Ao propor charadas e a criação de histórias baseadas no cenário ao redor, o profissional estimula a imaginação e as funções motoras dos pacientes mesmo sem o uso de aparelhos convencionais.
Fechando as discussões, Fabíola Gonzaga de Freitas, gerente da Atenção às Aprendizagens da Secretaria de Educação (SEEDF), apresentou o panorama das Classes Hospitalares, que atuam em parceria com a SES-DF para garantir a continuidade do atendimento pedagógico dos estudantes internados. Conforme a especialista, a iniciativa dialoga com as diretrizes do Currículo em Movimento e com o projeto Plenarinha, que introduz conceitos de participação política e controle social desde a educação infantil.
Fonte: Agência Brasília



