A seleção argentina teve um Mundial decepcionante em 2018 – dentro e fora de campo. A fase de grupos foi sofrível, com direito a um empate por 1 a 1 com a Islândia – e o atacante Lionel Messi perdendo pênalti – e derrota por 3 a 0 para a Croácia, marcada por uma falha gritante do goleiro Willy Caballero.
2019, o ano-chave da mudança
Veio, então, a Copa América. Dos 23 jogadores que estiveram na Rússia, eram somente 10 remanescentes: o goleiro Franco Armani, os laterais-esquerdos Nicolás Tagilafico e Marcos Acuña, o zagueiro Nicolás Otamendi, os meias Roberto Pereyra e Giovani Lo Celso e os atacantes Ángel Di Maria, Paulo Dybala, Sérgio Aguero e Messi.
Para outros nove atletas, aquela seria a primeira competição pela seleção principal. Entre eles, o goleiro Juan Musso, os volantes Rodrigo De Paul e Leandro Paredes e o atacante Lautaro Martínez integram o elenco argentino desta Copa. Já De Paul, Paredes e Lautaro foram campeões mundiais em 2022, assim como outros três estreantes de 2019: os zagueiros Juan Foyth e Germán Pezzella e o meia Guido Rodrigues.
A trajetória na Copa América foi sofrida. Na estreia, derrota por 2 a 0 para a Colômbia na Arena Fonte Nova, em Salvador. Depois, empate por 1 a 1 com o Paraguai no Mineirão, em Belo Horizonte. A vitória por 2 a 0 sobre o Catar na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, classificou a Argentina para as quartas de final. No Maracanã, novo triunfo por 2 a 0, desta vez sobre a Venezuela.
Os argentinos deixaram o Rio de Janeiro e retornaram a Belo Horizonte para encarar o Brasil. Apesar da melhor atuação do time no torneio, eles não resistiram à Amarelinha, que ganhou por 2 a 0 – os atacantes Gabriel Jesus e Roberto Firmino balançaram as redes.
A Argentina terminou o torneio em terceiro, após a vitória por 2 a 1 sobre o Chile, na Arena Corinthians, em São Paulo, em duelo marcado pela expulsão de Messi, após discussão com o zagueiro Gary Medel. Apesar de mais um ano sem títulos desde a conquista da Copa América de 1993, no Equador, o apoio do elenco – principalmente do camisa 10 – foi crucial e Scaloni seguiu à frente da seleção.
“Nós criamos um grupo a partir da união e quero que nos fortaleçamos cada vez mais. Chegar ao terceiro lugar era o mínimo que poderíamos fazer. Este grupo pode mais e dará muito mais frutos”, projetou o técnico, na entrevista coletiva que concedeu após o duelo contra o Chile.
Scaloneta sem freio
Era uma seleção, enfim, com um goleiro confiável (Dibu Martínez). Uma defesa consistente, que manteve veteranos históricos, como Otamendi e Tagliafico, mas trouxe novidades como o lateral-direito Nahuel Molina e os zagueiros Cristian Romero e Lisandro Martínez.
O Mundial do Catar, aliás, ressaltou a nova mentalidade argentina. A surpreendente derrota para a Arábia Saudita, por 2 a 1, na estreia, em outro momento, seria acompanhada de crise dentro e fora de campo. O revés encerrou uma sequência de 36 jogos sem derrotas. Eis que Messi – que, oito anos antes, deu adeus à seleção após fracassar em mais uma Copa América, mas voltou atrás – cravou, como se soubesse a glória que o esperava em 18 de dezembro de 2022.
“Que o povo confie em nós, não vamos deixá-los decepcionados”.
Eles, de fato, não deixaram. E querem repetir a dose quatro anos depois.
Fonte: Agência Brasil

