Dólar sobe e bolsa desaba em dia de forte cautela no mercado financeiro

Dólar sobe 0,76% e fecha a R$ 5,39 em dia de cautela

O mercado financeiro brasileiro registrou um dia de forte volatilidade nesta quinta-feira (29), impulsionado por apreensões em torno do cenário econômico tanto nacional quanto internacional. O dólar comercial encerrou o pregão com valorização de 0,76%, cotado a R$ 5,387, após se aproximar da marca de R$ 5,40 ao longo da sessão. No pior momento do dia, por volta das 15h30, a moeda norte-americana atingiu a máxima de R$ 5,43, representando um salto de 1,56% em relação ao encerramento anterior. Apesar do avanço diário, a divisa ainda acumula queda de 1,85% no ano.

Desempenho da bolsa e principais números

A cautela generalizada também penalizou a principal praça de negociações do país. O Ibovespa caiu 1,06%, fechando aos 169.186 pontos e completando a sua quarta sessão consecutiva de perdas. Durante o dia, a mínima do índice chegou a 168.765 pontos às 15h26, enquanto o intervalo de oscilação ficou entre 168.765,35 e 171.402,97 pontos. Em Nova York, o cenário externo negativo pesou sobre o S&P 500, que recuou 0,3% pressionado pelo setor de tecnologia e pelos custos crescentes em inteligência artificial observados nos resultados da Alphabet.

Indicadores dos Estados Unidos e o câmbio

No exterior, a alta do dólar frente a moedas de países emergentes — como o peso mexicano, o peso chileno, o rand sul-africano e o real — esteve atrelada à divulgação de dados robustos da economia norte-americana. O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 3,4% no terceiro trimestre, superando a projeção de 3,2% estimada por economistas consultados pela agência Reuters. Além disso, os gastos dos consumidores avançaram 0,5% em setembro.

O núcleo do índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), que serve como principal termômetro de inflação para o Federal Reserve (Fed), o banco central estadunidense, subiu 0,3% no mês, mantendo-se em linha com as expectativas, enquanto o índice cheio avançou 0,5%. No fechamento do mercado internacional, às 17h07, o índice do dólar, que compara a divisa a uma cesta de seis moedas globais, registrava leve recuo de 0,16%, aos 101,960 pontos.

Preocupação fiscal e cenário interno

No cenário doméstico, o foco dos investidores recaiu sobre as incertezas fiscais e a definição da equipe econômica e das medidas do próximo mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. O desconforto com as contas públicas ganhou fôlego após o Banco Central divulgar que a dívida bruta do setor público alcançou 82,9% do PIB em setembro. Paralelamente, a dívida líquida subiu para 70% do PIB, avançando em relação aos 69,3% registrados no mês anterior.