Estudantes matriculados no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), instituição da rede pública do Distrito Federal, estão expondo suas criações artísticas na Universidade de Brasília (UnB). A mostra intitulada Surdocegueira: Vivências, Possibilidades e Experiências ocupa o hall do subsolo da Biblioteca Central da instituição acadêmica e permanece aberta para visitação pública até o dia 9 de novembro. O projeto pedagógico destaca a importância da acessibilidade e busca dar visibilidade à surdocegueira no DF através de trabalhos desenvolvidos em sala de aula.
Tecnologia e criatividade na educação inclusiva
Para a confecção das peças expostas, os alunos utilizaram diversos tipos de materiais, incluindo recursos tecnológicos avançados como a impressora 3D. As produções retratam o cotidiano, as formas de comunicação e as trajetórias de vida das pessoas que conviven com essa deficiência, estimulando debates profundos sobre autonomia e inclusão social.
O professor guia-intérprete do CEEDV e organizador da mostra, Fábio Zózimo, destaca o propósito educacional da iniciativa: “Ao percorrer a exposição, é possível notar que buscamos oferecer um percurso para que o público que a desconhece possa adentrar este universo denominado surdocegueira”, conta.
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Entendendo a condição e seus desafios
A condição caracteriza-se pelo comprometimento simultâneo da visão e da audição em graus variados, afetando diretamente a comunicação, a mobilidade e a independência do indivíduo. Vale ressaltar que o quadro não se resume à cegueira e à surdez totais, englobando também combinações de resíduos sensoriais que não se compensam por si mesmos.
A condição pode se manifestar de forma congênita ou ser adquirida ao longo dos anos. Diante dos obstáculos de comunicação, a arte surge como uma ferramenta pedagógica transformadora, facilitando a expressão e a participação cidadã desses estudantes na sociedade.
O papel da universidade no combate ao preconceito
A aproximação entre a educação especializada e o ambiente acadêmico fortalece a luta contra estereótipos negativos relacionados às pessoas com deficiência.
“Na medida em que se tornam mais populares, as possibilidades que a educação inclusiva apresenta, acredito que pode trazer muitos benefícios para a comunidade acadêmica, pois se adequa ao que a universidade se propõe, ao papel dela na sociedade. Acredito que essa seja uma forma da gente combater o preconceito, porque muitas pessoas têm essa perspectiva de que a pessoa com alguma deficiência tem o potencial limitado, que não é capaz de fazer algumas coisas, e, com a exposição, a gente vê que elas são capazes de fazer qualquer coisa”, opina o educador.

