A jornalista e ex-apresentadora do MasterChef Brasil, Ana Paula Padrão, usou suas redes sociais para fazer um forte desabafo após receber comentários maldosos na internet. A famosa foi alvo de ataques ao publicar registros de biquíni durante uma viagem recente ao Rio Tapajós, localizado no Pará.
A repercussão negativa e o julgamento em torno da imagem da comunicadora geraram debates públicos sobre o comportamento da sociedade diante da maturidade feminina.
Reflexão sobre preconceito e disparidade de tratamento
Diante da repercussão, a famosa compartilhou capturas de tela com algumas das mensagens ofensivas recebidas e aproveitou o espaço para analisar criticamente a forma como a mídia e o público tratam os corpos femininos em contraponto aos masculinos.
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“Para você que não necessariamente acompanha as discussões sobre etarismo, sobre machismo, principalmente no que se refere a manchetes, quando falam de corpos femininos ou de comportamentos femininos, versus manchetes (…) se referem a comportamentos ou corpos masculinos, é mais ou menos assim: se um homem vai pra praia, ninguém espera que ele vista um blazer, se ele posta fotos dele de sunga, não é mais do que o normal”, iniciou a famosa.
O peso social da idade e dos relacionamentos
Continuando sua análise sobre os padrões impostos às mulheres, ela destacou que o mesmo ocorre em outras situações cotidianas, como em diferenças de idade em relacionamentos afetivos.
“Afinal de contas, ele está na praia, não está na missa, nem num velório e nem trabalhando, ou seja, ele está adequado ao ambiente. A mulher quer mostrar a forma física, ou, nossa, que coisa impressionante que ela tem essa forma física, dado que ela tem esta idade”, apontou a apresentadora.
Segundo a jornalista, a mesma dinâmica se repete no campo amoroso. “É a mesma coisa que acontece quando uma mulher assume um relacionamento com um homem muitos anos mais jovem. A manchete é: fulana de tal, X idade, assume namoro com fulano de tal, X anos mais jovem”, observou.
Para a comunicadora, o contraste é evidente no tratamento midiático. “O contrário jamais daria uma manchete: fulano de tal namora uma menina mais jovem. Por que? Porque isso é considerado normal e uma mulher namorando um homem mais novo não é considerado normal”, analisou.
Por fim, a escritora pontuou que o público ainda estranha a autonomia feminina na maturidade. “A gente não tá acostumada, como sociedade, com uma mulher que tem relevância e voz depois de uma determinada idade. E o homem sempre teve ampla liberdade para fazer essas escolhas e para tomar essas atitudes publicamente. E isso passa dele uma imagem viril”, concluiu.

