Mulheres defendem redes de apoio para ampliar participação no poder

Mulheres defendem articulação em rede para ampliar participação

Durante a conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, realizada em Brasília, comunicadoras e especialistas destacaram a necessidade urgente de fortalecer redes de união e solidariedade para ampliar a participação feminina no poder e combater o machismo institucional.

O poder histórico da união feminina

A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, resgatou episódios marcantes da história política nacional para ilustrar a força coletiva das mulheres, mencionando a mobilização conhecida como “lobby do batom” durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988. “Um grupo que se organizou para agir politicamente. O resultado do que elas fizeram foi absolutamente extraordinário porque boa parte dos direitos que nós temos até hoje foi garantido por essas poucas mulheres”, observou.

Diante do cenário em que pelo menos 40% dos cargos vitalícios serão nomeados na próxima década, abrindo espaço para a renovação no Judiciário, a articulação coletiva ganha ainda mais relevância. “Trabalhar em rede é algo que nós, mulheres, sabemos fazer há séculos. Atuar em rede, para quem é mulher, é estratégia de sobrevivência”, apontou a gestora, alertando também que a comunicação pública sofre pressões de grupos extremistas e da desinformação.

enfrentamento ao machismo cultural

A advogada e influenciadora Sara Gabriela, idealizadora da página “Seja a princesa que salva a si mesma”, defendeu que o combate à misoginia exige franqueza e dados concretos, sem suavizar a realidade. “Eu entendo que a informação não deve ser suavizada”, pontua. Ela reforçou que a iniciativa nasceu em 2019 a partir da vivência com vítimas de violência em comunidades de Goiás, onde constatou que a superação da violência passa obrigatoriamente por uma transformação cultural.

No mesmo sentido, a advogada Miriane Ferreira chamou atenção para a importância de educar mulheres sobre seus direitos patrimoniais e familiares, especialmente em situações de divórcio onde o trabalho doméstico muitas vezes é desvalorizado. “Recomendo também saber o direito fundamental e saber também da sua força do seu trabalho. As mulheres precisam dessa solidariedade uma das outras para mostrar o poder que têm. Nós mulheres somos muito desacreditadas”, declarou.

desafios e o papel da comunicação

Participando dos debates, a advogada Mayra Cotta criticou duramente a postura de parte do sistema de justiça atual, apontando que o aumento nas denúncias de violência vem acompanhado de forte resistência institucional. “As mulheres estão denunciando mais (as violações que são vítimas), mas estão sendo massacradas pelo Judiciário”, afirmou, lamentando que ainda existam magistrados tolerantes com abusadores.

Para fomentar a inclusão política e social, a fundadora da plataforma “Elas trabalham”, Thayse Xavier, reforçou o incentivo constante para que mais cidadãs integrem os espaços de decisão. “Mulheres fora do espaço de poder devem apoiar mulheres que estão nesses lugares”, pontuou. O evento também contou com a contribuição da cineasta Fernanda Amim, que destacou o impacto de narrativas audiovisuais na denúncia contra o racismo estrutural e as falhas do sistema criminal.

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