Da produção emergente ao diagnóstico estruturado
“Se o Distrito Federal já apresenta boa produtividade, cafés premiados e condições edafoclimáticas promissoras, por que ainda não conhecemos de forma sistemática a identidade desses cafés?”
Lívia de Lacerda, coordenadora do projeto
O projeto coordenado pela professora Lívia de Lacerda de Oliveira, da Universidade de Brasília (UnB), surge justamente para preencher essa lacuna: transformar percepções dispersas em um diagnóstico estruturado da produção local.
O projeto também contribui para o fortalecimento da infraestrutura científica da Universidade de Brasília e para a formação de recursos humanos qualificados, consolidando uma base técnica que pode sustentar o desenvolvimento da cafeicultura local no longo prazo.
O diferencial da pesquisa está na sua abordagem integrada. O café deixa de ser analisado apenas como produto final e passa a ser compreendido como resultado de um sistema complexo, que envolve ambiente, manejo e processamento.
O estudo acompanha toda a cadeia produtiva — do levantamento de dados nas propriedades à análise laboratorial dos grãos e à avaliação sensorial da bebida, conduzida por protocolos reconhecidos internacionalmente, como os da Specialty Coffee Association (SCA).
A caracterização inclui compostos químicos determinantes para a qualidade, como cafeína, açúcares, ácidos clorogênicos e compostos voláteis, além da correlação desses dados com variáveis ambientais, como solo, clima e altitude. “O coração do projeto está justamente no cruzamento dos dados de clima, solo, manejo, composição química e avaliação sensorial”, explica Lívia.
Essa abordagem permite não apenas avaliar a qualidade do café, mas compreender os fatores que a determinam — um passo essencial para o desenvolvimento consistente da atividade.
O conceito de terroir diz respeito à relação entre o ambiente de cultivo e as características do produto. Fatores como solo, clima, altitude e manejo influenciam diretamente o sabor, o aroma e a qualidade do café, podendo resultar em atributos únicos que identificam sua origem.
O estudo acompanha toda a cadeia produtiva — do levantamento de dados nas propriedades à análise laboratorial dos grãos e à avaliação sensorial da bebida, conduzida por protocolos reconhecidos internacionalmente, como os da Specialty Coffee Association (SCA).
A caracterização inclui compostos químicos determinantes para a qualidade, como cafeína, açúcares, ácidos clorogênicos e compostos voláteis, além da correlação desses dados com variáveis ambientais, como solo, clima e altitude.
“O coração do projeto está justamente no cruzamento dos dados de clima, solo, manejo, composição química e avaliação sensorial”, explica Lívia.
Impacto estratégico: da pesquisa ao mercado
Os desdobramentos do estudo vão além da produção científica. Ao estruturar um diagnóstico da qualidade e das condições de produção, a pesquisa cria bases concretas para o reposicionamento do café do DF no mercado.
A possível consolidação de uma identidade regional pode: 1) agregar valor ao produto; 2) orientar estratégias de certificação; 3) fortalecer a inserção em mercados mais exigentes; 4) ampliar a competitividade da cadeia produtiva
O futuro: de potencial a origem reconhecida
Ao transformar dados dispersos em evidência científica, o estudo representa um passo decisivo nesse processo. Mais do que confirmar o potencial já identificado, a pesquisa cria as condições para que o Cerrado brasiliense deixe de ser uma promessa e passe a se posicionar como origem — onde ciência, território e produção se encontram para revelar, na xícara, a identidade de um lugar.
*Com informações da FAPDF
Fonte: Agência Brasília



