Quando Portugal e Espanha se enfrentaram pela primeira vez no futebol, em 19 de dezembro de 1921, a rivalidade entre os vizinhos da Península Ibérica já existia a quilômetros dali. Mais precisamente em Santos, no litoral sul de São Paulo. Há exatos 107 anos, ocorria o jogo pioneiro do chamado “Clássico das Colônias”, entre Portuguesa Santista e Jabaquara.
Sim, o primeiro encontro entre os clubes que ostentam, nas respectivas histórias, as origens de seus fundadores, foi disputado em um 6 de julho. O mesmo dia em que, nesta segunda-feira de 2026, as duas seleções estarão frente a frente por um lugar nas quartas de final da Copa do Mundo, às 16h (horário de Brasília), em Dallas (Estados Unidos).
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Marcados na história
A trajetória dos clubes se cruza, em vários momentos, com a do esporte brasileiro e do país. Ambos, por exemplo, estão entre os fundadores, em 1941, da Federação Paulista de Futebol (FPF) – assim como o Santos, vizinho mais “famoso”.
Por um lado, a Briosa já teve um jogador – o meia Argemiro – convocado para representar o Brasil em uma Copa do Mundo, em 1938. Por outro, o Jabuca se orgulha de ter revelado um dos maiores goleiros da história: Gylmar dos Santos Neves, bicampeão mundial em 1958 e 1962.
A mudança de Hespanha para Jabaquara, por sua vez, tem relação com a Segunda Guerra Mundial. O decreto 4.166, de 11 de março de 1942, no governo de Getúlio Vargas, determinou que bens de pessoas físicas e jurídicas de países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) poderiam ser confiscados para compensar prejuízos causados ao Brasil pelo conflito.
Tradição centenária
O retrospecto entre as seleções de Espanha e Portugal é favorável aos espanhóis, com 17 vitórias, 18 empates e seis triunfos lusitanos. Na versão “brasileira” do clássico, quem leva vantagem é a Portuguesa Santista, que ganhou 76 em 174 partidas. O Jabaquara levou a melhor 53 vezes, com 45 igualdades.
Na maior parte dos jogos (48), os times estavam na elite do Campeonato Paulista. No último duelo, porém, ambos jogavam a quarta – à época, última – divisão do Estadual, em 2016.
Fora da elite do Paulistão desde 2006, três anos após um histórico terceiro lugar, a Briosa esteve próxima de voltar em 2024, mas perdeu o acesso nos pênaltis para o Noroeste em casa, no Estádio Ulrico Mursa, pela semifinal da Série A2. Na temporada seguinte, acabou rebaixada, mas deu a volta por cima este ano, com o título da Série A3, retornando à segunda divisão de São Paulo para 2027.
“No momento, o futebol está parado e volta no ano que vem. A gente optou por não disputar a Copa Paulista [torneio estadual do segundo semestre, que dá vaga à Copa do Brasil e à Série D do Campeonato Brasileiro] justamente porque não era financeiramente viável e também por entender que era uma oportunidade de tentar reestruturar algumas áreas do clube”, explicou Barreiros.
Vice-campeão paulista em 1927 e 1934 após reconhecimento, pela FPF, de competições organizadas pelas extintas Liga de Amadores de Futebol e Federação Paulista de Football, o Jabuca está afastado da elite desde a queda em 1964. Hoje, o Leão da Caneleira – apelido do clube – está na Série A4, quarta divisão e, atualmente, o penúltimo nível do futebol do estado. Em 2026, a equipe ficou em 12º lugar (entre 16 times).
“Administrativamente falando, nosso grande orgulho é que nós não temos nenhuma dívida. Na sua parte essencial, que é o futebol, podemos dizer que participamos de todas as categorias masculinas da FPF, da base ao profissional. Claro que essa condição existe com parcerias. Hoje, estamos partindo para novos investimentos, dando início à construção de um centro de treinamento”, disse Pepe.
Quem leva o clássico?
“A gente já teve ano passado, na Liga das Nações [torneio entre seleções europeias], Portugal saindo campeão [em cima da Espanha]. Será outro jogaço. Francamente, espero que Portugal vença de novo e saia classificado. Espero que meu amigo Pepe fique chateado com a eliminação da Espanha e não a gente aqui”, brincou Barreiros, dirigente da Briosa.
“São duas seleções que se equiparam, de mesmo nível, duas potências, mas eu vou ficar com o histórico, evidentemente, trazendo para a Espanha. Estou considerando ótimo um placar de 2 a 1 a favor da Espanha. Espero que computemos mais uma vitória para a Espanha”, finalizou Pepe, mandatário do Jabuca.
Fonte: Agência Brasil



