Brasília, conhecida por sua arquitetura icônica e relevância política, vem conquistando um novo espaço de destaque: o cenário vitivinícola. Em apenas dois anos de existência, a Vinícola Brasília já se firmou como um dos grandes símbolos da produção de vinhos no país, acumulando premiações nacionais e internacionais e projetando o Distrito Federal como um novo polo do setor.
Como parte das celebrações dos 66 anos da capital, a Vinícola Brasília preparou uma programação especial que também marca seus dois anos de história. A proposta é convidar o público a brindar Brasília com experiências que unem vinho, música e gastronomia em um ambiente que valoriza o estilo de vida ao ar livre. A festa começa na segunda-feira (20), com o lançamento de um rótulo especialmente criado para os 66 anos de Brasília. O primeiro espumante de Chenin Blanc da vinícola Marchese, elaborado pelo método tradicional e com colheita de inverno já nasceu premiado, conquistando medalha de ouro na Grande Prova Vinhos do Brasil antes mesmo de chegar oficialmente ao mercado
Projeto coletivo
Inaugurada em abril de 2024, a vinícola nasceu da união de dez famílias produtoras — Alto Cerrado, Boa Vista da Mata, Casa Vitor, Ercoara, Horus, Marchese, Miro, Monte Alvor, Oma Sena e Villa Triacca —, que decidiram transformar uma paixão em projeto coletivo. Vindos majoritariamente da Região Sul nas décadas de 1970 e 1980, esses produtores encontraram no Cerrado condições ideais para o cultivo da uva, especialmente com a técnica da dupla poda e colheita de inverno.
O resultado desse trabalho colaborativo é expressivo. Em pouco tempo, a vinícola já soma mais de uma centena de premiações, reforçando a qualidade do terroir brasiliense e a capacidade da região de produzir vinhos de excelência. “Estamos fazendo 50 anos em 5”, resume Ronaldo Triacca, um dos representantes do setor e diretor de Relações Institucionais da Associação Nacional dos Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin), ao destacar a velocidade de evolução da produção local.
Mais do que números, o sucesso da vinícola também carrega um forte significado simbólico: o empreendimento surgiu como um presente para Brasília, que neste mês celebra mais um aniversário. A proposta vai além da produção de vinhos, envolve sustentabilidade, inovação e desenvolvimento econômico, com práticas como reaproveitamento de água e preservação da vegetação nativa.
Para quem vive o dia a dia da produção, o crescimento é também emocional. A produtora Isabella Bonato, da vinícola Oma Sena, destaca o espírito coletivo que sustenta o projeto. Segundo ela, mesmo sendo um negócio familiar, criado em homenagem à avó, as conquistas são compartilhadas entre todos. “O que um ganha, todo mundo ganha”, resume, ao reforçar a cultura de cooperação que marca a iniciativa.
Qualidade e inovação
Outro marco importante para o avanço da vitivinicultura no Distrito Federal é a criação de um moderno laboratório de análises, desenvolvido a partir de uma demanda da Anprovin, recém-inaugurado no final do mês de março. A iniciativa surgiu da necessidade de dar mais agilidade e precisão às análises, que antes eram enviadas ao Rio Grande do Sul, gerando custos elevados e riscos de comprometimento das amostras.
De acordo com Ronaldo Triacca, que participou diretamente da concepção do projeto, a estrutura representa um divisor de águas para o setor. “O laboratório surgiu de um anseio dos produtores. Antes, precisávamos enviar todas as amostras para o Rio Grande do Sul, o que encarecia o processo e, muitas vezes, comprometia a qualidade das análises. Agora, teremos agilidade, precisão e autonomia”, explica.
Com investimento de cerca de R$ 4 milhões, o espaço será um dos mais tecnológicos do país, equipado com aparelhos importados e estrutura de ponta. Segundo Triacca, o impacto vai além da operação das vinícolas: “Esse laboratório será fundamental para a certificação dos vinhos de inverno e para elevar ainda mais o padrão de qualidade da produção brasileira. Ele também abre portas para pesquisas e até para apoiar órgãos como o Ministério da Agricultura no futuro.”
Olaboratório atenderá, inicialmente, as vinícolas associadas, mas também estará disponível para produtores do Distrito Federal, Goiás e outras regiões. A estrutura conta, ainda, com parcerias com a Embrapa Uva e Vinho e com a Embrapa Cerrados, além de um campo experimental que permitirá avanços significativos em pesquisa e desenvolvimento.
Fonte: Agência Brasília



