O Transtorno Obsessivo-Compulsivo, popularmente conhecido como TOC, voltou ao centro das atenções após a atriz Jenna Ortega, estrela da série Wandinha, compartilhar detalhes sobre sua convivência com a condição desde a infância. O relato da artista ajuda a esclarecer que os sintomas frequentemente ultrapassam a simples necessidade de organização ou limpeza, impactando profundamente o bem-estar emocional e a rotina dos pacientes.
A realidade do TOC entre celebridades
Em entrevista à revista Vogue, Jenna Ortega revelou que, aos 7 anos, já seguia rituais específicos antes de ir à escola, como organizar gavetas, pentear o cabelo lentamente e manipular lençóis de uma forma pré-determinada. Atualmente, a atriz descreve comportamentos como entrar em sets de filmagem com o pé esquerdo, repetir frases e contar até 71 enquanto retém a respiração.
Ela não é a única personalidade a abordar o tema. Nomes como Roberto Carlos, David Beckham, Leonardo DiCaprio e Megan Fox já falaram publicamente sobre suas experiências. Além deles, o apresentador Howie Mandel e o ator Rainn Wilson, de The Office, também compartilharam suas jornadas com o diagnóstico, trazendo visibilidade para uma condição que ainda sofre com a banalização.
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Diferenciando mania de transtorno
A especialista em saúde mental Mariellen Freitas ressalta que o TOC não deve ser confundido com perfeccionismo. “Existe uma diferença muito importante entre gostar de organização e sentir que você precisa realizar determinada ação repetidamente para aliviar uma angústia ou impedir que algo ruim aconteça”, começou, antes de completar: “No TOC, os pensamentos podem surgir de maneira involuntária, causar sofrimento intenso e levar a pessoa a desenvolver rituais que nem sempre fazem sentido para ela, mas que parecem impossíveis de interromper”, explicou.
Sintomas invisíveis e o diagnóstico infantil
Muitas manifestações ocorrem apenas no campo mental, com revisões exaustivas de pensamentos e medos, o que torna o sofrimento invisível para quem está ao redor. “Um dos maiores equívocos é acreditar que toda pessoa com TOC precisa lavar as mãos diversas vezes ou manter tudo perfeitamente organizado. Existem compulsões que acontecem dentro da própria mente e que podem ser tão desgastantes quanto os comportamentos físicos. Muitas vezes, quem convive com o paciente sequer percebe o sofrimento que ele está enfrentando”, destacou.
Sobre o início dos sinais na infância, a especialista orienta cautela aos pais: “Quando uma criança sente uma angústia muito grande porque não conseguiu repetir uma ação da maneira que considera correta, ou quando precisa realizar determinados rituais para conseguir dormir ou sair de casa, é importante investigar. Não significa que todo hábito repetitivo seja um transtorno, mas os sinais persistentes merecem atenção profissional”, orientou.
O tratamento, que envolve psicoterapia e, em alguns casos, medicação, é essencial para melhorar a qualidade de vida. A visibilidade dada por figuras públicas, segundo a profissional, é um passo fundamental para o diagnóstico precoce: “Quando uma pessoa conhecida compartilha uma experiência como essa, ela ajuda a mostrar que os transtornos mentais não têm uma aparência única”, observou. E prosseguiu: “O TOC não é uma mania engraçada ou uma característica de personalidade. É uma condição que pode provocar sofrimento real, mas que tem tratamento. Informação de qualidade é fundamental para que as pessoas reconheçam os sinais sem se autodiagnosticar”, concluiu.

