“A longo prazo, vejo que vamos conseguir detectar com mais rapidez e precisão os casos de câncer, o que vai permitir o início mais rápido do acompanhamento oncológico e o tratamento”
Luiz Fabiano Barbosa, enfermeiro
A nova tecnologia apresenta maior sensibilidade diagnóstica em comparação ao exame citopatológico convencional, reduzindo a necessidade de avaliações complementares e intervenções desnecessárias. Além disso, quando o resultado é negativo, o intervalo entre as coletas pode ser ampliado, proporcionando mais conforto, segurança e rastreamento mais qualificado às pacientes.
Foi o caso de Letícia dos Santos, de 42 anos, que fez a coleta da amostra na UBS 8 de Samambaia durante exame de rotina.“O enfermeiro me explicou direitinho como funciona,e eu achei ótimo”, lembra. “Agora, não vou precisar fazer o exame todo ano, vou poder fazer só daqui a cinco anos”.
Estratégia
O teste de DNA-HPV integra a estratégia de enfrentamento ao câncer do colo do útero baseada em três pilares principais: vacinação, rastreamento organizado e tratamento oportuno das lesões precursoras.
“Com o teste de DNA-HPV, os protocolos de rastreamento tornam-se mais objetivos, organizados e padronizados, facilitando a compreensão tanto pelas usuárias quanto pelos profissionais de saúde”
Simone Lacerda, gerente de Apoio à Saúde da Família da SES-DF
A meta é alcançar 90% de cobertura vacinal entre adolescentes até 2030, além de garantir que 70% das mulheres entre 25 e 64 anos façam o rastreamento periódico, ampliando a detecção precoce e reduzindo a mortalidade pela doença.
“Trata-se de um conjunto de ações integradas voltadas à eliminação dessa doença”, explica a gerente de Apoio à Saúde da Família da Secretaria de Saúde (SES-DF), Simone Lacerda.
“O câncer de colo do útero ainda representa um importante problema de saúde pública, sendo um dos tipos de câncer mais frequentes entre as mulheres brasileiras”, aponta. “Além disso, destaca-se por ser um dos tipos de câncer passíveis de prevenção e detecção precoce por meio da vacinação, do rastreamento organizado e do tratamento oportuno das lesões precursoras.”
A gerente também explica que o exame citopatológico convencional, apesar de ter sido fundamental ao longo dos anos na prevenção do câncer do colo do útero, frequentemente gerava dúvidas quanto à periodicidade correta de realização, levando muitas mulheres a repetirem o procedimento anualmente, mesmo quando não havia indicação clínica ou necessidade conforme os protocolos vigentes.
“Com o teste de DNA-HPV, os protocolos de rastreamento tornam-se mais objetivos, organizados e padronizados, facilitando a compreensão tanto pelas usuárias quanto pelos profissionais de saúde”, detalha. “Isso fortalece o fluxo assistencial na Atenção Primária, reduz exames e intervenções desnecessárias, amplia a segurança clínica e permite um acompanhamento mais qualificado das pacientes.”
Fluxo do exame
A coleta da amostra é feita de forma semelhante ao exame citopatológico (Papanicolau), sendo o material encaminhado para análise molecular por técnica de PCR.
Nos casos em que houver detecção dos tipos HPV 16 ou HPV 18 — associados ao maior risco oncogênico —, a paciente será encaminhada para colposcopia. Quando o resultado for negativo, a recomendação é repetir o exame após cinco anos, conforme protocolo vigente. Se for detectado outro tipo de HPV, será feito o citologia com a mesma amostra.
As amostras são coletadas nas UBSs e encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) para análise. Após a liberação dos resultados, as equipes da Atenção Primária à Saúde serão responsáveis pelo acompanhamento das pacientes, orientações e encaminhamentos necessários, conforme cada caso.
*Com informações da Secretaria de Saúde
Fonte: Agência Brasília



