Uma força-tarefa composta por centuintes de agentes deflagrou uma ofensiva nacional para combater uma rede de bets ilegais que movimentou cerca de R$ 734 milhões, de acordo com o avanço das apurações conduzidas pelas autoridades policiais.
Estratégia e alvos da investigação
A mobilização envolveu aproximadamente 200 policiais civis do Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte, que saíram às ruas para cumprir 52 mandados de busca e apreensão. Na capital federal, os alvos se concentraram em localidades como Sobradinho e Ceilândia, onde dezenas de companhias foram abertas compartilhando os mesmos contatos telefônicos e endereços físicos. Já em território paulista, as diligências abrangeram centros empresariais importantes, enquanto no estado goiano as ações ocorreram em municípios como Goiânia, Planaltina de Goiás e Valparaíso de Goiás.
As autoridades judiciais do Distrito Federal ordenaram o bloqueio massivo de R$ 3,483 bilhões, atingindo dezenas de pessoas físicas e jurídicas. As medidas cautelares também abrangeram a suspensão de registros comerciais de cem empresas, restrições para a criação de novas contas bancárias e a quebra de sigilos fiscais e bancários de dezenas de investigados.
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Origem do esquema e crimes apurados
Os alvos da investigação enfrentam acusações graves que incluem exploração de loteria não autorizada, estelionato por meio de fraude eletrônica, lavagem de capitais, falsidade ideológica e formação de quadrilha. As penas previstas podem ultrapassar três décadas de reclusão, dependendo do envolvimento com documentos públicos falsificados. O caso ganhou novos contornos após o governo apontar ligação entre sites de apostas e o crime organizado, intensificando o cerco regulatório.
O inquérito teve início há cinco meses com base em informações repassadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Os portais de apostas de quota fixa funcionavam sem a devida chancela federal e utilizavam redes sociais e mecanismos de busca na internet para atrair vítimas. O fluxo financeiro ilegal era direcionado a mais de cem contas mantidas em uma fintech sediada em São Paulo, totalizando cerca de R$ 1 bilhão em transações suspeitas.
“Esta instituição financeira, duas empresas do mesmo grupo e seus dirigentes são alvos das medidas de busca e bloqueio cumpridas na operação de hoje”, informou a PCDF.
Modus operandi e fachadas
Durante coletiva de imprensa, o delegado Paulo Pereira, chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) da PCDF, relatou que “apostadores abriram boletins de ocorrência. Eles diziam que não recebiam os valores das apostas e não sabiam que os sites eram ilegais. Aparentemente estavam sendo vítimas de estelionato”. O investigador acrescentou que as empresas receptoras dos pagamentos operavam como fachadas, utilizando locais improváveis, como uma padaria ou uma residência simples cuja moradora aceitou ceder dados em troca de uma pequena quantia em dinheiro.
O termo escolhido para batizar a ofensiva policial faz alusão a uma expressão italiana tradicional associada aos jogos de azar, refletindo a natureza clandestina das atividades desmanteladas pelas forças de segurança.

